
Por Solange Engelmann
Da Página do MST
Entre os dias 27 de junho até 04 de julho deste ano, a Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema (SP), será palcos de debates políticos, trocas de experiências, atividades organizativas e capacitação técnica em torno do papel das artes visuais no MST, com a realização do Encontro Nacional de Artes Visuais do Movimento.
Com a previsão de reunir cerca de 70 participantes, o Encontro terá um público diverso, entre militantes artistas das artes visuais dos territórios do MST e parceiros, bem como militantes do setor de Cultura do Movimento, integrantes da Brigada Candido Portinari, educadores/as das Escolas do Campo, localizadas nas áreas de Reforma Agrária; e artistas populares convidados, do Brasil e da América Latina.
A intenção da atividade é fortalecer o trabalho voltada às artes visuais no MST e na Brigada Candido Portinari, que já vem sendo realizado a um tempo em territórios e espaços do Movimento, além de aprofundar a compreensão sobre os fundamentos e a concepção de artes visuais na luta de classes.
“A arte e a cultura sempre estiveram presente na constituição histórica do Movimento Sem Terra. Então, queremos trazer essa memória de luta nesses 42 anos do MST, através das artes visuais, e de como que a gente tem construído um projeto de Reforma Agrária Popular, baseado nas simbologias, que nos vinculam com a realidade da classe trabalhadora brasileira e à realidade do projeto de sociedade que o MST tem se proposto a fazer”, enfatiza, Maria Raimunda Cesar, da coordenação nacional do Coletivo de Cultura do MST.
Historicamente, as artes visuais estão presentes no cotidiano de luta e na caminha do MST, desde as primeiras ocupações de terras pelo país, nas assembleias, marchas, conquistas de assentamentos, entre outros, e se materializam na produção de cartazes, faixas, ornamentações, painéis, murais e, atualmente na internet, com destaque para as redes sociais.

Nesse sentido, o muralista Ds Lima, que integra o Coletivo de Cultura do MST e a Brigada Cândido Portinari, explica que o Encontro Nacional também é visto como um momento importante para avançar na frente de muralismo do MST.
“A partir da Brigada Cândido Portinari, visualizamos o muralismo como uma importante ferramenta da luta pela terra. Nesse Encontro, queremos nos fortalecer enquanto sujeitos Sem Terra fazedores de arte, e dimensionar nossa produção visual para projetar nossos anseios em relação à arte visual, numa perspectiva popular, coletiva e participativa.”
Na programação estão previstos debates e momentos de formação política, como análise de conjuntura com olhar para as artes visuais, a história da artes visuais no Brasil, as artes visuais nos processos revolucionários, o percurso das artes visuais do MST e o seu papel da Reforma Agrária Popular, entre outras discussões e tempos educativos. Já na parte da tarde ocorrem oficinas técnicas de muralismo, desenho e painel, serigrafia, arte designer, ornamentação e arte educação. Além de uma visita ao Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e atividades culturais.
Artes Visuais e a luta de classes
Maria Raimunda também destaca que as artes visuais tem um papel importante ao colaborar nas disputas de narrativas e batalha das ideias em torno da luta de classes e da organização dos movimentos populares na sociedade.
“A gente está numa sociedade que tem cada vez mais se afastado de imagens de simbolismo, que nos colocam num processo de busca concreta pela transformação. As artes visuais no MST e nos movimentos sociais populares tem o dever de vincular cada vez mais as pessoas à realidade concreta e projetar sonhos e imaginários a partir disso, despertar desejo e, acima de tudo, incentivar um processo criativo na nossa sociedade.”
Nesse contexto, Ds Lima também defende que o muralismo tem tive uma função essencial na valorização da simbologia de luta e seus vários aspectos, a partir das artes plásticas construindo processos coletivos de formação e aprendizados entre a juventude Sem Terra nos territórios do MST.
“O muralismo, para além do embelezamento de nossos espaços, também reafirma nossos princípios militantes, coletivizando ações e projetando através de imagens, nos muros, fachadas e outros suportes nosso projeto de Reforma Agrária Popular. Ele é comunicação, formação e trabalho comum, colaborando na organização territorial e na formação de nossos artistas populares”, conclui ele.
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