Evento em Goiás reuniu militantes e dirigentes para discutir pauta feminista na organização
Durante o 14º Encontro Nacional de Mulheres do PT, realizado nos dias 30 e 31 de janeiro e 1 de fevereiro, na cidade de Luziânia, em Goiás, foram organizados espaços de debates e palestras para disseminar dados e conteúdos relevantes para o conjunto das lutas em defesa dos direitos das mulheres.
Para dialogar com o tema do papel da mulher na política, foram realizadas duas conversas: ‘Desafios das mulheres na organização partidária’ e ‘A identidade das Mulheres do PT no programa de governo 2026’.
Desafios
Com a abordagem sobre os desafios, participaram das exposições: a diretora da Escola Nacional de Formação do PT, Tais Maciel, a vereadora por Guarulhos (SP) Fernanda Curi e Camila Moreno, da Direção Executiva Nacional. A mediação foi de Fátima Bandeira, com participação de Maria do Carmo Guido, coordenadora do Setorial Nacional da Pessoa Idosa.
A diretora da Escola Nacional de Formação do PT apontou que dados, compilados entre 2023 até agora, mostram que 67% do público que realizou os cursos durante esse período são mulheres, seja na busca por conhecimento enquanto dirigentes, militantes, organizadoras do trabalho de base e compondo a rede de facilitadoras.
A informação revela um ponto de análise porque, apesar de serem maioria no processo de formação e aprimoramento das práticas, as mulheres ainda seguem com uma representação abaixo do esperado nas esferas de decisão do partido.
“Precisamos cada vez mais nos fortalecer. Estamos prestes a fazer 46 anos e já avançamos muito, mas ainda temos muito o que avançar”, diz Tais Maciel.
A vereadora Fernanda Curti falou destacou que discutir a vida das mulheres representa tratar dos assuntos macro da política do Brasil. “Foram as mulheres que deram a eleição a Lula em 2022, ou seja, a intervenção que nós mulheres propomos não é simplesmente a de um discurso bonito, mas sim de transformação social e econômica, transformação no dia a dia das pessoas”, afirma.
“A vida das mulheres é central para debatermos a economia do país, o PT ainda não está convencido disso, as companheiras aqui sabem disso. Não é uma luta menor”, completa Fernanda Curi. Além disso, a vereadora propõe que o partido tenha mais atenção às candidaturas de mulheres no poder Executivo.
Identidade
Para tratar sobre “A identidade das Mulheres do PT no programa de governo 2026”, Misiara Oliveira coordenou a mesa de debate com a presença de Elen Coutinho, diretora da FPA, Pluvia Oliveira, vereadora em Mossoró (RN), e Katia Maria, vereadora em Goiânia (GO).
Elen Coutinho, diretora da Fundação Perseu Abramo, comentou que esse é o momento das Secretarias do partido sistematizarem as demandas para colaboração com a construção de um programa de governo indicado pelo PT.
A diretora da FPA também lembrou que o CSBH, Centro de Documentação e Memória Sérgio Buarque de Holanda, possui no acervo um repertório virtual chamado “Muito Prazer, Mulheres do PT” que contém, entre outros materiais, as linhas do tempo que marcam as contribuições das mulheres nos programas de governo e as políticas públicas que atingem diretamente a vida das mulheres.
Segundo a diretora da FPA, desde os anos 80 as petistas já alertavam para a importância de reversão do quadro de sobrecarga das mulheres em relação às tarefas domésticas e que após o Bolsa Família o próximo salto será visto com a implantação da Política Nacional de Cuidados.
Para a dirigente petista, o combate à violência contra as mulheres também passa pelo aspecto cultural. “Precisamos de um pacto feminista pela vida das mulheres na sociedade e também entre nós”, diz Elen Coutinho.
Vereadora de Mossoró (RN), Pluvia Oliveira reforçou a necessidade de empenho do orçamento do poder público para políticas relacionadas às tarefas de cuidados, em especial para as mulheres periféricas, como as creches e lavanderias públicas.
Também militante da Marcha Mundial de Mulheres, a parlamentar destacou que no trabalho de base as mulheres são linha de frente no contato com a sociedade, principalmente nos territórios periféricos, e que com isso esbarram em toda a sorte de problemas sociais, incluindo a questão do tráfico de drogas, além do combate pesado que é travado no enfrentamento à ofensiva ultraconservadora.
Katia Maria, vereadora em Goiânia (GO), citou que com uma política de alianças ampla é importante que a gestão seja democrática e participativa. ”Acredito que a grande contribuição que possamos dar para a identidade partidária é estarmos nos espaços de poder de uma forma muito efetiva, nas Assembleias Legislativas, na Câmara Federal, no Senado, ocupando os ministérios para que a execução das políticas públicas aconteça, não só na elaboração, mas na efetivação”, pontuou.
Dentre as principais pautas destacadas pela vereadora, o tema da segurança pública teve grande atenção, com foco na redução do crescimento do índice de feminicídios no país.
Nova gestão
Com a participação de 700 mulheres de todo o Brasil e sob o lema “Organizadas, resistimos. Unidas, transformamos o poder. E vivas nos queremos”, o encontro marcou a eleição de Mazé Morais como nova secretária nacional de Mulheres do PT.
A apresentação do Tese Guia Unificada do 14º Encontro Nacional de Mulheres teve a participação de Télia Negrão, da Avante; Rose Rodrigues, da Resistência Socialista; Rosana Rodrigues, do MS; Cléa Borges, do Movimento PT; Luciene Santana, da Esquerda Popular Socialista; Suelen Aires Gonçalves, da Articulação de Esquerda; Misiara Oliveira, da Socialismo e Construção; e Vanessa Alves e Regina Brunet, da Democracia Socialista.
Foto: Elimar Caranguejo
Fonte: https://fpabramo.org.br/focusbrasil/2026/02/03/mulheres-do-pt-debatem-desafios-politicos-e-identidade-partidaria-em-encontro-nacional/
