
Nesta quarta-feira (11), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu um telefonema do presidente colombiano, Gustavo Petro. A conversa tratou oficialmente dos preparativos para a próxima cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos(Celac), marcada para o dia 21 de março em Bogotá.
Lula intensificou nos últimos dias o diálogo com líderes da América Latina em meio a discussões nos Estados Unidos sobre a possibilidade de classificar facções brasileiras como organizações terroristas.
Apesar da sensibilidade do tema, o governo brasileiro tem adotado uma postura diplomática cautelosa: reforça a cooperação regional e a integração política do continente, evitando alimentar confrontos públicos com Donald Trump.
Integração regional no centro da agenda
Segundo o Palácio do Planalto, o diálogo entre Lula e Petro concentrou-se na agenda de integração latino-americana e caribenha. O encontro da Celac deve reunir chefes de Estado da região para discutir cooperação política, desenvolvimento e articulação internacional.
Durante a conversa, Petro também informou sobre a realização de uma reunião Celac-África, prevista para a manhã do mesmo dia da cúpula. A iniciativa busca ampliar a cooperação entre países do Sul Global e reforçar laços históricos entre América Latina e continente africano.
Os dois presidentes também confirmaram presença na quarta edição do encontro internacional “Em Defesa da Democracia”, que será organizado pelo governo da Espanha em abril, na cidade de Barcelona.
Diálogo com o continente
A ligação com Petro ocorreu poucos dias depois de Lula conversar com a presidente do México, Claudia Sheinbaum.
Na ocasião, o diálogo oficial abordou temas econômicos e cooperação energética, além da organização de uma futura visita da líder mexicana ao Brasil, prevista para ocorrer entre junho e julho, acompanhada de empresários.
A sequência de contatos telefônicos evidencia o esforço do governo brasileiro em fortalecer o diálogo político dentro da região, num momento em que temas como segurança pública e crime transnacional têm sido empregadas pelo governo norte-americano para justificar agressões armadas contra territórios soberanos.
Crime organizado e cooperação internacional
Nos bastidores diplomáticos, cresce a preocupação em Brasília com debates em Washington sobre classificar facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Interlocutores do governo brasileiro sustentam que o combate ao crime organizado transnacional deve ocorrer por meio de cooperação policial, compartilhamento de inteligência e ações conjuntas entre os países — não por meio de classificações unilaterais.
Além disso, autoridades lembram que a legislação brasileira define terrorismo com base em motivações ideológicas ou discriminatórias, o que difere da natureza essencialmente criminosa dessas facções.
Preparação para a cúpula da Celac
A próxima reunião da Celac em Bogotá ocorre em um cenário geopolítico mais sensível para a região. Nos últimos meses, a agenda de segurança ganhou destaque em iniciativas promovidas pelos Estados Unidos com governos alinhados a Washington.
Mesmo assim, o Brasil tem optado por manter o foco nas agendas estruturais da integração latino-americana — como desenvolvimento econômico, cooperação energética e articulação diplomática.
A estratégia busca preservar canais de diálogo tanto com parceiros regionais quanto com os Estados Unidos, evitando que divergências pontuais se transformem em uma crise diplomática mais ampla.
A diplomacia da cautela
A postura adotada por Lula reflete uma tradição histórica da política externa brasileira: priorizar a negociação e o multilateralismo.
Nesse contexto, os recentes contatos com líderes da região indicam um esforço de coordenação política no continente, sem transformar o tema da segurança em uma disputa aberta entre governos.
Enquanto as discussões seguem nos bastidores diplomáticos, a agenda oficial mantém o foco na integração regional — sinalizando que o Brasil prefere responder às pressões internacionais com diálogo e cooperação, não com confrontação.
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