
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por cerca de uma hora, nesta terça-feira (4), com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em um diálogo que reafirmou o caráter estratégico das relações entre os dois países e sinalizou a intenção de aprofundar a cooperação em áreas consideradas prioritárias para ambos os governos.
Segundo nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), os dois líderes fizeram um balanço da agenda bilateral em 2026, destacando os encontros realizados em Brasília no âmbito da Comissão de Alto Nível (CAN) e da Comissão Intergovernamental de Cooperação Econômica, Comercial, Científica e Tecnológica (CIC), mecanismos responsáveis por coordenar os principais projetos de cooperação entre Brasil e Rússia.
O líder russo elogiou os esforços brasileiros para a resolução do conflito na Ucrânia, informou a assessoria de imprensa do Kremlin nesta terça-feira (4). “Houve uma troca de opiniões sobre questões internacionais atuais, incluindo a situação em torno da Ucrânia”, afirma o comunicado da parte russa.
Segundo o Kremlin, Putin “expressou sua gratidão ao colega brasileiro pelo empenho em contribuir para a busca de uma solução político-diplomática para o conflito na Ucrânia”.
Os líderes reforçaram que Brasil e Rússia mantêm convergências em temas fundamentais da governança global. Ao final, ficou acordada a continuidade da coordenação mútua em fóruns multilaterais, como a ONU, visando alinhar posições e fortalecer a atuação conjunta em questões de interesse internacional.
Comércio e tecnologia no centro da parceria
Durante a conversa, Lula e Putin reafirmaram o interesse em ampliar a colaboração nos setores de energia, ciência e tecnologia e na indústria naval, áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico e tecnológico dos dois países.
O presidente brasileiro também enfatizou a importância do comércio bilateral, especialmente do fornecimento de diesel e fertilizantes russos ao mercado brasileiro, insumos considerados fundamentais para a economia nacional. Ao mesmo tempo, defendeu a necessidade de tornar a balança comercial mais equilibrada por meio da ampliação das exportações brasileiras para a Rússia, objetivo perseguido pelo governo brasileiro desde a retomada da política de diversificação de mercados externos.
Paz, ONU e reforma da governança global
A situação internacional ocupou parte significativa da conversa. De acordo com a Secom, Lula manifestou preocupação com a incapacidade do Conselho de Segurança das Nações Unidas de produzir soluções para os principais conflitos em curso e reiterou a importância do diálogo entre as grandes potências como caminho para a construção da paz.
O presidente brasileiro também destacou a dimensão humanitária das guerras, lamentando a perda de vidas, inclusive de civis, e reafirmou a defesa de soluções negociadas para as crises internacionais.
A posição está em sintonia com a política externa brasileira de fortalecimento do multilateralismo e da reforma das instituições internacionais, tema recorrente nas manifestações do governo Lula em organismos multilaterais.
BRICS ganha protagonismo
Os dois presidentes reafirmaram a disposição de manter atuação conjunta nos fóruns internacionais, com destaque para o BRICS. Segundo a nota oficial, Lula e Putin ressaltaram o papel crescente do bloco diante das transformações da ordem internacional e concordaram sobre a importância de fortalecer um sistema internacional multipolar, baseado na cooperação entre diferentes centros de poder.
A conversa reforça a prioridade conferida pelo governo brasileiro às articulações com os países do Sul Global e às iniciativas voltadas à ampliação da influência do BRICS em temas econômicos, financeiros e diplomáticos.
Apoio brasileiro a Michelle Bachelet
No encerramento da conversa, Lula abordou a sucessão na Organização das Nações Unidas e reiterou o apoio do Brasil à candidatura da ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, para o cargo de secretária-geral da ONU.
A manifestação integra a estratégia diplomática brasileira de defender maior representatividade na governança global e ampliar a presença de lideranças do Sul Global em organismos multilaterais, ao mesmo tempo em que reforça a defesa do diálogo e da cooperação internacional como instrumentos para enfrentar os desafios geopolíticos contemporâneos.
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