
O Hamas denunciou nesta segunda-feira (11) que 271 palestinos foram assassinados e 622 ficaram feridos durante o primeiro mês do cessar-fogo em Gaza. Entre os feridos, 221 são crianças.
Segundo o governo de Gaza, Israel segue realizando ataques aéreos e disparos em áreas civis, violando repetidamente o acordo de trégua firmado em 10 de outubro.
As mortes ocorreram em zonas consideradas seguras, próximas a centros de distribuição de alimentos e áreas residenciais que haviam sido declaradas livres de operação militar.
O cessar-fogo mediado por Egito e Qatar previa o fim dos ataques israelenses e a retirada gradual das tropas da Faixa de Gaza, mas o acordo foi descumprido em dezenas de ocasiões desde sua entrada em vigor.
De acordo com o ministério da Saúde palestino, forças israelenses abriram fogo contra civis que aguardavam ajuda humanitária ou tentavam retornar às casas destruídas.
Em comunicado, o governo de Gaza afirmou que Israel utiliza a trégua “como cobertura para continuar matando”, ao mesmo tempo em que se apresenta à comunidade internacional como comprometido com a paz.
“As forças de ocupação continuam suas agressões contra civis indefesos mesmo durante o chamado cessar-fogo”, afirmou o porta-voz do ministério.
A denúncia inclui também o bloqueio persistente à entrada de ajuda humanitária. Segundo o Hamas, apenas 40% do volume acordado chegou efetivamente ao território. Caminhões com alimentos e medicamentos são retidos ou atrasados por inspeções israelenses nos cruzamentos de Kerem Shalom e Beit Hanoun, impedindo a chegada de itens básicos.
Organizações internacionais relatam que a fome e a falta de água potável atingem mais de 1,8 milhão de pessoas, com o agravante de que hospitais e abrigos continuam sob risco de colapso.
Relatórios da ONU apontam que a ajuda é “insuficiente e irregular”, e que o sistema de inspeção imposto por Israel viola o direito humanitário internacional.
Entre os feridos registrados desde o início da trégua, mais de duzentos são crianças. Hospitais funcionam com capacidade reduzida, enfrentando falta de combustível, insumos e energia elétrica.
Médicos locais relatam que muitos pacientes morreram por falta de anestesia ou equipamentos básicos, e que amputações são realizadas em condições precárias. Imagens divulgadas por agências palestinas mostram filas de famílias em ruínas de escolas e mesquitas bombardeadas, enquanto equipes médicas tentam improvisar tendas de atendimento.
Desde o início da ofensiva israelense, em outubro de 2023, o número total de mortos na Faixa de Gaza já ultrapassa 69 mil pessoas, segundo o balanço atualizado pelo governo local.
A continuidade dos ataques durante o cessar-fogo reacendeu denúncias de crimes de guerra e uso da fome como instrumento de coerção. A trégua, apresentada por Israel como gesto humanitário, não resultou em melhora significativa nas condições da população civil.
Países do Sul Global, como Brasil, África do Sul e Indonésia, reiteraram apelos para que a ONU garanta o cumprimento efetivo do cessar-fogo e a entrada irrestrita de ajuda humanitária. Organizações de direitos humanos acusam os Estados Unidos de cumplicidade, ao manter o apoio militar e financeiro a Israel mesmo após sucessivas violações documentadas.
O cessar-fogo de outubro foi resultado de intensas negociações mediadas pelo Egito e pelo Qatar, com o objetivo de estabilizar o território após onze meses de ofensiva israelense que devastou Gaza e deslocou quase dois milhões de pessoas.
No entanto, o bloqueio permanece, a ajuda é insuficiente e as mortes continuam. “Israel não cumpre o cessar-fogo e continua matando nosso povo, inclusive crianças e mulheres”, disse o Hamas em nota oficial.
O movimento afirmou que a trégua só terá sentido se incluir o fim do bloqueio e a retirada completa das forças de ocupação.
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