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Emendas de deputados de SP superam gastos em educação e financiam entidades ligadas a políticos

Os deputados estaduais de São Paulo puderam indicar, nesta legislatura, cerca de R$ 6,1 bilhões em emendas parlamentares — volume maior do que tudo o que a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) investiu em educação e segurança pública somadas (R$ 3,5 bilhões) entre 2023 e junho de 2026. Levantamento da Folha de S.Paulo, que analisou 19.184 indicações pagas no período, mostra que parte relevante desses recursos foi destinada a entidades com vínculos políticos ou institucionais com os próprios deputados responsáveis pelas indicações. Associações do terceiro setor ligadas a artes marciais — kung fu, karatê e boxe — receberam R$ 129 milhões, com repasses concentrados de parlamentares de centro-direita e bolsonaristas, que também financiam o setor gospel; já nomes da esquerda priorizam associações comunitárias e atividades culturais em bairros periféricos.

Transparência

No mês passado, ao aprovar as contas da gestão Tarcísio de 2025, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) determinou que o governo aprimore o portal da transparência estadual para atingir o nível de detalhamento do portal federal. O tribunal registrou, contudo, que o governo instituiu um novo marco regulatório para corrigir falhas, passando a exigir plano de trabalho e conta específica para as emendas a partir deste ano. A opacidade nas despesas atinge também as santas casas, entidades filantrópicas de saúde que recebem a maior fatia dos recursos: as Santas Casas de Santos e de Ourinhos, as mais beneficiadas, somaram R$ 56 milhões em repasses registrados apenas como “custeio”, sem identificação detalhada do destino do dinheiro.