
A Câmara dos Deputados será palco nesta quarta-feira (8), às 9h, no Auditório Nereu Ramos, do lançamento da campanha nacional pela taxação dos super-ricos, contra as desigualdades e um sistema tributário mais justo no país.
O ato tem apoio de 80 organizações dos movimentos populares, centrais sindicais e entidades estudantis como a União Nacional dos Estudantes (UNE).
Durante o encontro, será apresentado o estudo “Um século do Imposto de Renda no Brasil”, que analisa a trajetória do tributo e aponta distorções que contribuem para a concentração de renda no país.
“Nós, da União Nacional dos Estudantes, estamos muito empolgados, envolvidos e esperançosos com a construção da campanha. Sem dúvida, essa iniciativa pode contribuir e muito para disputarmos as ideias na sociedade e avançar na organização popular, deixando claro que se a crise é dos ricos, que eles paguem a conta!”, disse a secretária-geral da UNE, Camila Moraes.
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Segundo ela, taxar os super-ricos não é só um caminho para avançar na luta por justiça tributária, mas também uma resposta concreta para combater as contradições impostas pela concentração de renda e riquezas.
“E também pelas limitações fiscais impostas pela correlação de forças no nosso país. Queremos taxar os super-ricos para avançar em investimentos em educação e cultura para toda a juventude brasileira”, defende.
O movimento tem como bandeiras centrais aprofundar a justiça tributária, com taxação efetiva dos super-ricos; revisar benefícios e renúncias fiscais que favorecem poucos e drenam recursos que deveriam financiar políticas públicas; proteger e fortalecer a seguridade social, os pisos constitucionais da saúde e da educação e os serviços públicos.
Além disso, propõe construir um orçamento comprometido com o enfrentamento de privilégios e a redução das desigualdades de renda, de raça e de gênero e redução da taxa de juros Selic do Banco Central (BC), que drenou no ano passado R$ 1 trilhão dos impostos pagos pela população para o pagamento de juros da dívida pública.
Manifesto
Segundo o manifesto, assinado pelas entidades, o sistema tributário continua penalizando quem vive de salário e consome quase toda a renda do trabalhador com o básico: feijão, arroz, transporte, gás, energia, aluguel. Enquanto isso, grandes rendas, lucros e patrimônios seguem pagando proporcionalmente menos.
“Essa estrutura não é neutra. Ela aprofunda desigualdades que têm classe, cor e gênero. Quando se corta política social ou se ameaça a seguridade, o impacto recai sobre quem já enfrenta a pobreza, o racismo estrutural e a desigualdade de gênero”, diz o documento.
Na avaliação das entidades, o governo tem buscado ampliar a arrecadação para criar margem fiscal e evitar cortes no orçamento público, pois a política fiscal deve combater privilégios e proteger direitos sociais.
“O orçamento público não pode ser capturado por uma lógica que prioriza a remuneração do capital financeiro acima das necessidades do povo. O Congresso, majoritariamente alinhado às elites econômicas, tem bloqueado avanços na justiça tributária e tentado restringir direitos sociais, pressionando por cortes no orçamento que prejudicam a maioria da população. Essa lógica precisa ser enfrentada com mobilização popular”, diz o texto.
Entidades que assinam o manifesto:
- ADUFC S. Sind
- AFYL Brasil
- Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs)
- Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB)
- ASFOC – Sindicato Nacional
- ASSESOAR
- Associação dos/as Agricultores e Moradores do Engenho Rochedo
- Associação Mulheres EIG – Evangélicas pela Igualdade de Gênero
- Campanha Nacional pelo Direito à Educação
- Casa Cultural Marielle Franco Brasil
- CEBRAP
- CEAP – Centro de Educação e Assessoramento Popular
- Centro de Direitos Humanos e Educação Popular do Campo Limpo (CDHEP)
- Centro Palmares de Estudos e Assessoria por Direitos
- Centro Santo Dias de Direitos Humanos
- Central dos Movimentos Populares
- CNTE
- Coletiva Mahin – Organização de Mulheres Negras pelos Direitos Humanos
- Coletiva Todas Unidas
- Coletivo de Mulheres Negras Maria Maria Comunema
- Comitê Popular de Luta dos Bancários de Pernambuco
- CONTAG
- CSB – Central dos Sindicatos Brasileiros
- CTB
- Cunhã Coletivo Feminista
- CUT
- CUT Pernambuco
- DIEESE
- Famílias Atípicas Amar
- FAOR – Fórum da Amazônia Oriental
- Força Sindical
- Frente de Evangélicos pelo Estado Democrático de Direitos
- Geledés – Instituto da Mulher Negra
- Grupo de Mulheres Negras Malunga
- Grupo de Pesquisa Tributação e Gênero – FGV Direito SP
- Grito dos Excluídos Continental
- IBASE – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas
- IDhES – Instituto de Direitos Humanos
- IJF – Instituto Justiça Fiscal
- INESC – Instituto de Estudos Socioeconômicos
- Intersindical – Central da Classe Trabalhadora
- Instituto Carlos Campos
- Instituto EcoVida
- Instituto Juventude Inovação
- Instituto Peregum
- Instituto de Referência Negra Peregum
- Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS)
- Instituto Soma Brasil
- ISP
- ISER Assessoria
- Juventudes do Médio Xingu
- Levante dos Búzios
- Levante Popular da Juventude
- Mãos Solidárias
- Marcha Mundial das Mulheres
- MNLM – Movimento Nacional de Luta pela Moradia
- Movimento Brasil Popular
- Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos
- Movimento Negro Unificado
- Movimento Tarifa Zero RJ
- MST
- N’zinga Coletivo de Mulheres Negras de BH (MG)
- Nossas
- Núcleo Construção PT
- Núcleo Marielle Franco
- Oxfam Brasil
- Pacová – Articulação de Cooperação do Campo à Cidade
- Plataforma Justa
- Poder de Preta / Undeke
- Preticomitê
- Projeto Brasil Popular
- Rede Jubileu Sul Brasil
- Resistência (PSOL)
- Sankofa.JUR e Afro-Gabinete de Articulação Institucional e Jurídica – AGANJU
- Sinttel PE
- SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia
- UBM – União Brasileira de Mulheres
- UGT – União Geral dos Trabalhadores
- Uneafro
- UNE – União Nacional dos Estudantes
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