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Eros e o fantasma do algoritmo que nos assombra

Imagem: Getty Images

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Este ensaio literário reúne críticas e reflexões sobre a relação entre tecnologia e subjetividade. Não se trata de negar o avanço técnico, mas de investigar o ponto exato em que o humano começa a se confundir com aquilo que criou. Vivemos um tempo em que o corpo, o desejo, a linguagem e a identidade são atravessados por dispositivos que organizam, filtram e padronizam nossas experiências e é nesse contato que surgem os conflitos desse ensaio.

Existe um momento quase imperceptível em que a identidade pessoal se funde com a lógica algorítmica. Primeiro como conveniência; depois como hábito; por fim, como condicionamento. Aos poucos, o sujeito deixa de se expressar a partir de si e passa a fazer isso a partir do que é permitido. Essa fusão, muitas vezes aceita de maneira ingênua, dissolve a singularidade ao transformar a subjetividade em interface de dados e produto.

Esta coletânea parte dessa constatação. O objetivo não é produzir um diagnóstico definitivo, mas acender uma suspeita: e se estivermos entregando nossa autonomia emocional e intelectual em troca de uma promessa de visibilidade? E se a hiperconectividade, celebrada como liberdade, for a construção de uma prisão discreta?

Talvez exista, hoje, um fantasma que nos habita: uma presença sintética que regula nossos desejos e nossa expressão pessoal. Um fantasma que, ao invés de assombrar a casa, assombra o corpo.

Este ensaio nasce para confrontar esse fantasma. Para pensar na tecnologia fora das categorias de inimiga ou salvadora e sim como uma força estruturante do nosso presente capaz de produzir tanto emancipação quanto servidão. Trata-se de reivindicar a liberdade de sentir e pensar sem pedir autorização ao algoritmo.

Se existe um fio capaz de atravessar esses textos, talvez seja este: a subjetividade humana não é quantificável e a vida ainda pode transbordar para além da máquina.

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