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Escola de São Paulo resiste a ataque de grupo comunicacional fascista

Localizada no centro de São Paulo, a escola EMEI Pagu é um exemplo de educação emancipatória, e por isso tornou-se o novo alvo das distorções e mentiras do Brasil Paralelo

Redação SP


EDUCAÇÃO – No dia 18/04, a Escola Municipal de Educação Infantil Patrícia Galvão — também conhecida como EMEI Pagu — organizou um ato que reuniu dezenas de pessoas na Praça Roosevelt, no centro da cidade de São Paulo, denunciando o ataque da extrema direita vivido pela comunidade escolar, e traçando coletivamente planos de enfrentamento a esses fascistas que quiseram implantar um verdadeiro clima de terror nos professores, funcionários e familiares da escola.

O ataque foi promovido pelo grupo comunicacional Brasil Paralelo, tropa de choque da extrema direita e da burguesia no que se refere à comunicação nas redes digitais. Tendo eles mesmos seu próprio canal de streaming, o Brasil Paralelo cumpre hoje um papel de destaque na difusão da ideologia da burguesia e a propagação do fascismo entre a classe trabalhadora, publicando diversos documentários e séries documentais em que difundem todo tipo de mentiras, revisionismos históricos e canalhices típicas da propaganda fascista.

Porém, onde há um ataque do capital, sempre existirá a resistência da população que não se rende, e que vai à luta para derrotar a besta fascista.

No ato estavam presentes a comunidade escolar (direção, professores, funcionários, familiares e os alunos), movimentos sociais e parlamentares de esquerda e do campo progressista. O Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público Municipal de São Paulo (SINESP), além de transeuntes que observavam, compreendiam a importância da pauta e se somavam à mobilização com indignação e revolta.

A Unidade Popular Pelo Socialismo e o Movimento de Mulheres Olga Benário também marcaram presença, prestando solidariedade e se colocando à disposição para a luta política nas ruas contra o fascismo, inclusive denunciando no Jornal A Verdade os absurdos como esse vivido pela escola e organizando as massas trabalhadoras na luta antifascista e pelo Socialismo.

Ataque fascista

Em que consistiu o ataque do Brasil Paralelo?

Em um filme intitulado Pedagogia Do Abandono, os fascistas atacam nosso ensino público por meio de espantalhos como a ideia de “escola sem partido” e combate à “ideologia de gênero”. Ou seja, velhas falácias propositais da extrema direita com o intuito de provocar pânico moral e desviar a atenção quanto ao desmonte do ensino público e em sua transformação em mercadoria, prejudicando a imensa maioria do povo enquanto um punhado de ricaços lucram com nossa desgraça.

Por meio de um edital de apoio à cultura da prefeitura de São Paulo aprovado pela SPCine, a produção obteve autorização para entrar na escola e filmá-la por dentro. Mesmo com a diretoria não tendo acesso ao roteiro ou ideia geral do conteúdo do filme (e demorando para perceber de quem se tratava e quais eram seus verdadeiros interesses ali), eles adentraram na escola e fizeram tomadas de locais internos.

No entanto, ao tentarem filmar uma sala de aula por conta de uma bandeira com nosso grande patrono da educação brasileira, Paulo Freire, um funcionário da escola os impediu. Isso porque a sala estava sendo usada por crianças, o que iria contra o combinado estabelecido com a equipe de filmagem. Tiveram que acatar pois, de fato, não possuíam autorização — mas não sem antes causar confusão, fazer ameaças e tentar assediar moralmente e juridicamente os trabalhadores da escola envolvidos.

Era evidente o que pretendiam fazer: distorcer a realidade por meio de suas lentes e microfones para vender um discurso contra o ensino público. Um discurso privatista, racista, misógino, LGBTfóbico… enfim, um discurso anti-povo, extremamente liberal na economia e reacionário em todo resto.

Os fascistas saíram enxotados, mas fizeram diversas ameaças, o que fez com ue a comunidade escolar começasse imediatamente a se organizar para combatê-los e tentar barrar o filme de ser lançado.

O que fazer?

No ato de 18/04, ficou claro para a comunidade escolar e seus aliados que eles não devem abaixar a cabeça e se intimidar. Que a melhor forma de enfrentar esses canalhas covardes é o confronto direto, pois é na nossa omissão que eles crescem e no nosso silêncio que se multiplicam.

“É lamentável que, com tantos sonhos e tanto por fazer, precisamos interromper nossas ações cotidianas para lidar com esses ataques que nos deixam abatidos por uma fração do tempo e nos faz retomar sempre com mais força”, leu a diretora da EMEI Pagu em carta aberta de toda a comunidade escolar.

Claramente, o que está em jogo é a existência de um ensino público de qualidade, que se preocupa de fato com uma educação emancipadora desde a primeira infância. Ensino que tem na figura de Paulo Freire (como é o próprio caso da EMEI Pagu) um espelho e um farol na construção de uma educação verdadeiramente popular e, portanto, emancipadora. Não é à toa que os propagadores compulsivos de fake news do Brasil Paralelo escolheram justamente uma escola que preenche esses requisitos. Miram no exemplo pois se o desconstruí-lo moralmente, podem derrubar com mais facilidade os elos menos avançados da cadeia.

As forças presentes no ato fizeram falas se comprometendo inclusive com a luta judicial para barrar o lançamento de tal excrescência audiovisual. A Unidade Popular e o Movimento de Mulheres Olga Benário afirmam que sim, precisamos combater e resistir a ataques fascistas como esse do Brasil Paralelo, usando de todos os meios possíveis, inclusive da luta mais burocrática, institucional e judicial. No entanto, é de fundamental importância a constância nas ruas, no trabalho de base, reforçando o trabalho nos bairros, vilas, favelas, fábricas, empresas, universidades, escolas e muito mais — não só em ano de eleição, mas sempre. Diariamente, de forma sistemática e contínua.

Defendemos que será somente com a superação do sistema capitalista e com a construção do Poder Popular e do Socialismo, em que os trabalhadores tomarão de fato as rédeas de seu destino, que poderemos podar o fascismo pela raiz.

Pois onde não há capitalismo, não pode haver seu lado mais horrendo.