Notícias

Escola Nacional Eliana Silva impulsiona formação de lideranças do MLB

FORMAÇÃO. Alunos da Escola Eliana Silva em Brasília. Foto: MLB/DF

O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) realizou mais uma edição da Escola Nacional Eliana Silva, promovendo quatro dias de formação teórica e política para novas lideranças.

Wilson Májè (SC) e Adriel Cássio (MG)


LUTA POPULAR – O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) realizou mais uma turma da Escola Nacional Eliana Silva, com um curso de quatro dias voltado para a formação de novas de lideranças de núcleos e coordenações das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

Entre os coordenadores presentes estavam militantes que participaram ativamente da Jornada Nacional de Luta pela Moradia, realizada em 7 de setembro de 2025. Essa mobilização construiu 18 novas ocupações em todo o país, todas também em solidariedade ao povo palestino e em protesto contra o genocídio praticado pelo regime sionista israelense.

As aulas foram conduzidas por novos facilitadores que integram a Comissão da Escola Nacional Eliana Silva, além de coordenadores nacionais do MLB. Foram abordados temas como Princípios Fundamentais da Filosofia, Economia Política, Partido de Vanguarda, como Vencer as Classes Dominantes e Socialismo.

A programação garantiu uma rica diversidade de atividades: exibição de filmes, leituras coletivas, aulas expositivas, peças teatrais, refeições comunitárias e uma estrutura acolhedora que assegurou a participação plena dos participantes.

Além disso, a Comissão da Escola, em conjunto com o Estado de Minas Gerais, garantiu um espaço de creche, permitindo que as crianças estivessem próximas de suas mães. Essa iniciativa foi fundamental para assegurar o aprendizado das companheiras que exercem papel de liderança nas ocupações.

Essa turma foi composta majoritariamente por mulheres, muitas delas, mães, o que reforça a importância de garantir espaços onde a formação das companheiras seja respeitada. A iniciativa assegura que cada mulher que chega aos núcleos e ocupações tenha o mesmo direito de se tornar liderança política e de dominar a teoria revolucionária.

Edna Cristina, moradora da Ocupação Francisco Bernardo (PR), se emocionou ao relatar a luta constante pela moradia: “Não queremos perder nossa casa. Nossas crianças amam aquele lugar [a ocupação] e não querem ir embora”. Já o companheiro João (RJ), da Ocupação Palestina Livre Luísa Mahin, expressou sua indignação ao recordar a truculência policial: “Foi difícil para nós quando a PM jogou gás e deu tiros de borracha. Eu mesmo fui atingido nas costas. Naquele momento, só pensava na segurança dos meus filhos e da minha neta”. Apesar da dor, concluiu com firmeza: “Estamos na luta e nela continuamos até a nossa vitória. Por isso, estou aqui aprendendo com todos vocês nesta escola”. 

Camila Muniz, da Coordenação do MLB em Santa Catarina e moradora da Ocupação Anita Garibaldi, destacou em seu relato: “O que mais me chamou a atenção foi a forma como as aulas foram organizadas e como os professores nos ajudaram a compreender as matérias. A consciência de cada companheiro presente no curso foi emocionante, assim como perceber como o MLB transforma vidas. Não se trata apenas da conquista da casa, mas da luta por uma vida melhor e justa para todos, reconhecendo quem é nosso verdadeiro inimigo: a burguesia e o sistema capitalista. Tenho certeza de que cada um de nós vai trabalhar para levar esse aprendizado a outras pessoas, até alcançarmos a revolução socialista”.

Tivemos um momento marcante durante o curso, quando os militantes do MLB destinaram um tempo para se solidarizar com o camarada Fernando e sua mãe, Marina, ambos vítimas de uma prisão injusta por defenderem o direito à moradia. Foram escritas 32 cartas enviando força aos camaradas, reafirmando que seguimos juntos, unidos pelo movimento e pelo mesmo propósito: pôr fim a este sistema que oprime o povo pobre. Só com união e luta avançaremos rumo à construção do socialismo.

Matéria publicada na edição impressa nº 336 do jornal A Verdade