O escritório de advocacia do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recebeu R$ 4 milhões do Nilo & Almeida Advogados Associados, escritório que tem como sócio Edvaldo Nilo de Almeida, antes de o Senado aprovar a recondução do advogado ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). A última parcela, de R$ 2 milhões, foi transferida 22 dias antes da votação.
Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo nesta quarta-feira (21), os pagamentos foram confirmados pelo próprio Nilo: R$ 2 milhões em 6 de agosto de 2025 e outros R$ 2 milhões em 21 de outubro daquele ano. O Senado aprovou seu nome em 12 de novembro.
Flávio participou da votação que decidiu sobre a permanência do sócio do escritório contratante no conselho. O registro oficial do Senado identifica o parlamentar entre os votantes, mas não revela sua posição, porque a escolha ocorreu por voto secreto. A recondução foi aprovada com 54 votos favoráveis, três contrários e uma abstenção.
Nomeado por Jair Bolsonaro para a Comissão de Ética
Edvaldo Nilo havia sido nomeado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, para integrar a Comissão de Ética Pública da Presidência em 2022. Ele permaneceu no colegiado até 2025. A comissão examina a conduta de autoridades do Executivo federal e situações de conflito de interesses.
No CNMP, Nilo ocupa a vaga destinada à indicação da Câmara dos Deputados. O conselho fiscaliza a atuação administrativa e financeira do Ministério Público e o cumprimento dos deveres funcionais de seus integrantes.
A recondução passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de chegar ao plenário do Senado. Na comissão, o relatório favorável foi apresentado pelo senador Angelo Coronel (PSD-BA). A tramitação oficial registra que o novo mandato começou em 7 de fevereiro de 2026.
Duas notas de R$ 2 milhões e serviços sem detalhamento
O Nilo & Almeida foi o maior cliente identificado pelo UOL no levantamento sobre o escritório de Flávio. Os R$ 4 milhões correspondem a aproximadamente 29% dos R$ 13,7 milhões em notas fiscais documentados pela reportagem entre janeiro de 2023 e julho de 2026, durante o mandato do senador.
As duas notas relacionadas ao escritório de Nilo descrevem os serviços como “assessoria jurídica”, sem identificar processos ou detalhar os trabalhos realizados. Ambas indicam uma conta do escritório de Flávio no Banco de Brasília (BRB) para pagamento.
Ao UOL, Nilo afirmou que os valores correspondiam a um contrato firmado em abril de 2025. Segundo ele, os dois escritórios prestaram serviços conjuntamente a clientes privados, sem utilização de recursos públicos ou participação de entes federativos. O advogado não identificou os clientes finais nem os casos atendidos.
Na manifestação encaminhada ao Globo, Nilo reafirmou que os serviços foram prestados regularmente e informou que a relação contratual terminou em 21 de outubro de 2025, data do segundo pagamento.
Conselheiro declarou apoio à candidatura de Flávio
Em 27 de setembro deste ano, Nilo publicou no Poder360 o artigo “Por que voto em Flávio Bolsonaro”. No texto, declarou apoio ao candidato e apresentou responsabilidade econômica, segurança pública, afinidade de princípios e alternância no poder como razões para sua escolha.
O levantamento do UOL examinou 62 documentos fiscais do escritório do senador. A maioria descrevia os serviços apenas como “assessoria jurídica”, e metade tinha outros advogados como contratantes. O portal informou que procurou a campanha de Flávio, mas não recebeu resposta até a publicação da reportagem.