
A esquerda manteve neste domingo (22) as três maiores cidades da França nas eleições municipais de 2026, ao confirmar a vitória em Paris, Marselha e Lyon sob administrações progressistas.
A extrema direita não conseguiu avançar nos grandes centros, mas ampliou presença em cidades médias, em um cenário também marcado por divisões entre forças de esquerda e pela aproximação da direita tradicional com o campo liderado por Marine Le Pen.
As eleições municipais ocorrem em meio a uma turbulência política sofrida pelo governo do presidente Emmanuel Macron e a 13 meses das eleições presidenciais de 2027.
Na capital francesa, Emmanuel Grégoire (PS) foi eleito prefeito com 50,5% dos votos, derrotando a candidata conservadora Rachida Dati, que obteve 41,5%. Grégoire e os socialistas sucedendem Anne Hidalgo (PS), mantendo a prefeitura sob controle da esquerda.
A vitória ocorreu sem aliança com a França Insubmissa (LFI), de Jean-Luc Mélenchon, após a recusa de Grégoire em unificar sua candidatura com a deputada Sophie Chikirou (LFI).
Do outro lado, a candidata conservadora Rachida Dati, do Partido Republicano, a direita tradicional, tentou ampliar sua base com uma aliança de última hora com a direita liberal, do presidente Macron, e contou com a retirada da candidatura ligada ao partido de extrema direita Reconquista!.
Em Marselha, a segunda maior cidade da França, a prefeitura foi mantida por uma coalizão de partidos progressistas, que conseguiu conter o avanço do Reagrupamento Nacional (RN).
Em Marselha, o prefeito socialista Benoît Payan (PS) foi reconduzido ao cargo com mais de 53% dos votos, derrotando o candidato da extrema direita, Franck Allisio.
Já em Lyon, o prefeito ecologista Grégory Doucet foi reeleito após firmar aliança com a França Insubmissa no segundo turno. A composição entre ecologistas e a esquerda foi decisiva para garantir a continuidade da gestão na cidade, diante de uma candidatura de direita que buscava retomar o controle da prefeitura.
O segundo turno registrou participação de cerca de 57% do eleitorado, um dos níveis mais baixos da história recente fora do período da pandemia.
Como foi a França Insubmissa
A França Insubmissa (LFI) cresceu em número de cidades, mas ainda enfrenta limites em centros mais amplos.
O partido conquistou cerca de uma dúzia de cidades relevantes, com presença destacada em territórios populares e periféricos, como Saint-Denis, na região metropolitana de Paris, além de Roubaix, Creil e municípios da periferia de Lyon, como Vénissieux e Saint-Fons.
Ao mesmo tempo, a legenda teve papel relevante em vitórias da esquerda em grandes cidades, mesmo sem liderar as chapas.
Em grandes cidades como Lyon, Nantes, Tours e Grenoble, a participação da LFI em alianças locais contribuiu para a formação de maiorias progressistas, sublinhando sua capacidade de influência no campo eleitoral.
Apesar desse avanço, o partido enfrentou dificuldades em cidades estratégicas como Toulouse e Limoges, onde foi derrotado mesmo após composições que, no papel, indicavam vantagem.
Os resultados nesses centros, com eleitorado mais heterogêneo, expuseram limites da estratégia baseada na mobilização de setores populares e jovens, que não se traduziu em maioria eleitoral.
O desempenho da LFI também evidenciou a disputa interna no campo progressista. As eleições foram atravessadas por tensões entre estratégias de unidade e candidaturas autônomas, em um cenário que antecipa a disputa pela liderança da esquerda nas eleições presidenciais de 2027.
Mesmo com divergências, os resultados confirmam que o partido amplia sua inserção territorial, ao mesmo tempo em que ainda enfrenta obstáculos para se consolidar como força majoritária em escala nacional.
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