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Estadão cobra afastamento dos Bolsonaros e expõe isolamento da direita

Em meio ao avanço das pesquisas eleitorais e à consolidação do favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o debate sobre a inviabilidade do projeto político da extrema direita ganhou espaço no editorial do periódico mais conservador de São Paulo. O jornal O Estado de S. Paulo manifestou na seção Notas & Informações uma opinião cobrando abertamente que os setores conservadores se afastem da família Bolsonaro e tentem construir uma alternativa real de oposição para as próximas disputas.

A posição expressa pelo diário paulista, sob o título “Uma chance de ouro para a direita”, surge como um sinal inequívoco do favoritismo de Lula e do desgaste do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão por tentativa de golpe de Estado e de abolição do Estado Democrático de Direito. Segundo a avaliação do próprio veículo, as constantes oscilações e a rejeição expressiva a nomes como o do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) demonstraram a incapacidade do clã em furar a bolha radical e rivalizar com a aprovação do governo federal.

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A centenária publicação da família Mesquita foi enfática ao expor as fragilidades e os escândalos que cercam a pré-candidatura do senador, destacando que, “das rachadinhas às relações com milicianos, passando pela calorosa ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do maior escândalo financeiro da história brasileira, nada parecia ser capaz de constranger os cabos eleitorais do senador”, até que o recuo nas pesquisas expôs a inviabilidade do projeto.

O diário paulista apontou ainda as intrigas internas da família e a divisão entre os aliados, afirmando que o pré-candidato “ganhou como poderosa inimiga sua madrasta, Michelle Bolsonaro, que resolveu sabotá-lo sabe-se lá com quais intenções, expondo as vísceras da família para todo o Brasil acompanhar, como num grosseiro reality show”.

Para o jornal, a dependência do polo conservador em relação à figura de Jair Bolsonaro e os sucessivos escândalos e desgastes do grupo travam qualquer articulação mais ampla. Ao defender abertamente o descolamento da família, a publicação reconhece que a insistência em pautas estritamente defensivas do clã apenas reforça o isolamento da direita e consolida a liderança de Lula no cenário nacional.

Precisou as pesquisas apontarem o crescimento da rejeição a Flávio Bolsonaro para o editorial concluir o óbvio:  que a insistência na candidatura familiar atende apenas aos interesses pessoais do ex-presidente, registrando que “o eventual sucesso de qualquer outro nome da direita fora da família significaria devolver os Bolsonaros ao subsolo da política miúda, lugar de onde nunca deveriam ter saído”. 

O movimento da imprensa conservadora escancara a crise do campo direitista, que se vê encurralado entre a fidelidade ao núcleo duro bolsonarista e a constatação de que o projeto político da família perdeu fôlego diante da aprovação do atual governo.

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