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Estratégia e paciência eliminam dois favoritos na Copa do Mundo

Na Copa do Mundo de 2026, dois jogos da primeira fase do mata-mata mostraram que, em campo, nem sempre quem tem mais posse de bola ou mais craques leva a melhor. Paraguai e Marrocos provaram que é possível vencer com estratégia, disciplina tática e, principalmente, com a paciência de quem sabe que nem toda batalha precisa ser decidida no tempo regulamentar.

Contra a Alemanha, o Paraguai não tentou jogar de igual para igual. Entrou em campo com um plano claro: não deixar espaços, manter a compactação defensiva e esperar o momento certo para atacar. A seleção alemã, mesmo com amplo domínio de bola em boa parte da partida, encontrou dificuldades para romper o bloqueio paraguaio.

Quando recuperava a posse, o time sul-americano não se lançava em transições descontroladas. Preferia construir com objetividade. O gol de Julio Enciso, aos 42 minutos, após cruzamento de Matías Galarza em jogada construída com participação de Miguel Almirón, foi fruto dessa leitura: paciência para esperar a oportunidade dentro do próprio sistema.

A Alemanha empatou com Kai Havertz, mas o Paraguai manteve o mesmo padrão de jogo. Não se desequilibrou. Não correu riscos desnecessários. Quando o placar permaneceu empatado após 120 minutos, a estratégia já havia cumprido seu objetivo principal: levar a decisão para os pênaltis.

Ali, a preparação tática se mostrou completa. O goleiro Orlando Gill estudou os batedores alemães e defendeu duas cobranças. No chute decisivo, José Canale converteu o pênalti que eliminou a quatro vezes campeã mundial. Não foi sorte. Foi consequência de uma partida inteira pensada para chegar exatamente naquele momento.

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Marrocos desliga a Laranja Mecânica

O Marrocos repetiu, com suas características, a mesma lógica contra a Holanda. A equipe africana também não buscou impor seu jogo o tempo todo. Organizou-se bem defensivamente, explorou os espaços deixados pelo adversário e, quando precisou, segurou o resultado com inteligência.

Mesmo após o gol holandês de Cody Gakpo aos 27 minutos do segundo tempo, o Marrocos não entrou em desespero. Continuou compacto e, nos acréscimos, encontrou o momento: Issa Diop cabeceou no primeiro minuto de acréscimo e forçou a prorrogação. Mais uma vez, a estratégia de não se expor e de esperar a oportunidade dentro do plano deu resultado.

Nos pênaltis, o Marrocos contou com a atuação decisiva de Yassine Bounou, que defendeu a cobrança de Crysencio Summerville, e com a tranquilidade de Ismael Saibari na última batida. O placar de 3 a 2 confirmou o que o jogo já indicava: o controle emocional e a preparação tática pesaram mais que o favoritismo prévio da antiga Laranja Mecânica.

Os dois resultados não representam apenas surpresas pontuais. Eles mostram que, no futebol atual, equipes com menos recursos financeiros, sem estrelas e menor exposição midiática podem competir em alto nível quando têm clareza de ideia e disciplina para executá-la.

Paraguai e Marrocos não venceram por acaso. Venceram porque entenderam que, contra seleções mais poderosas, o caminho mais curto nem sempre é o mais rápido. Às vezes, é preciso fechar espaços, controlar o ritmo, evitar riscos desnecessários e estar pronto quando a oportunidade aparecer. No tabuleiro da Copa do Mundo, a paciência também é uma arma poderosa. E, nestes dois jogos, ela foi decisiva.

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