
Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) organizaram no dia da reabertura da mesa de negociação um acampamento no campus até o Conselho Universitário, maior espaço de deliberação da Universidade, para cobrarem da reitoria o aumento do auxílio universitário para um salário mínimo paulista.
Hannah Cinotti | São Paulo
Juventude – No último dia das mães (10/05), diante dos olhares horrorizados de famílias e da sociedade civil, a polícia militar reprimiu brutalmente os estudantes da USP, que buscavam pacificamente que suas reivindicações fossem atendidas.
Mesmo após toda a repercussão midiática do despejo, os estudantes sofreram uma nova agressão. Na manhã do dia 25 de maio, a diretora do instituto de física agrediu estudantes que estavam mantendo um piquete e essa mesma direção já estava ameaçando ilegalmente os estudantes de serem reprovados por faltas.
Isso aconteceu porque no dia 25, a reitoria da USP marcou a reabertura da mesa de negociação com os estudantes sobre as demandas estudantis da greve, mesa fechada após o aumento de R$27,00 no PAPFE (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil), principal política de auxílio da Universidade.
Os estudantes apresentaram um ajuste de reajuste na diretriz orçamentária. O que faria com que a Universidade transferisse o pagamento do auxílio para o setor público, permitindo o aumento do PAPFE a um salário mínimo paulista.
A partir da intransigência dos representantes da reitoria e da mesa de negociação, os estudantes decidiram iniciar um acampamento no campus até a realização do Conselho Universitário, marcado para o dia 26/05.
Mesmo co o histórico recente de repressão na universidade e as agressões à estudantes, o movimento estudantil se mantém firme na denúncia à repressão e pelo aumento das condições de estudo e vida da juventude pobre na Universidade
Segundo Dany, pré -candidata a deputada federal pela Unidade Popular pelo Socialismo e diretora do DCE livre da USP: “essas táticas de terror são antigas na universidade. Na ditadura eles entregaram diversos estudantes à repressão, então mesmo que não estivéssemos esperando essa violência toda, já não nos surpreende.
E conclui: “Se mesmo numa democracia eles agem assim, imagina em um regime de ditadura? Não podemos recuar”.
