
Estudantes, docentes e trabalhadores das universidades estaduais paulistas realizam nesta quarta-feira (20) um ato unificado em São Paulo contra as políticas do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). A mobilização, que tem concentração marcada para as 14h no Largo da Batata, na zona oeste da capital, e deve seguir em marcha rumo ao Palácio dos Bandeirantes, sede do poder Executivo estadual.
A manifestação é o ponto alto de um movimento que começou de forma fragmentada em abril, na Universidade de São Paulo (USP), e se expandiu para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp). Atualmente, a paralisação afeta centenas de cursos, com cerca de 30% de adesão na Unicamp e na Unesp, além de uma forte mobilização na USP. O ato integra as ações do Fórum das Seis, que reúne as entidades representativas das três instituições.
As pautas centrais do protesto envolvem a ampliação do orçamento das universidades públicas, a garantia de políticas de permanência estudantil — como bolsas, moradia e refeitórios —, o combate ao sucateamento do ensino e a oposição aos projetos de privatização de serviços essenciais, como o transporte e a água. O movimento também se posiciona contra a repressão policial registrada em manifestações recentes.
Articulação e crescimento
A perspectiva das entidades organizadoras é de que o ato unificado transforme a greve universitária em um amplo confronto político com a gestão estadual. O crescimento do movimento ganhou força com a adesão formal de diferentes categorias. Os docentes da Unicamp aprovaram greve e a participação na marcha, enquanto a Associação dos Docentes da USP (Adusp) e o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) aprovaram paralisação para esta quarta-feira (20).
Centrais sindicais, como a Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a CSP-Conlutas, além de diversos movimentos sociais, declararam apoio à mobilização, o que amplia o escopo da manifestação para além do ambiente acadêmico. A expectativa da organização é atrair milhares de participantes para as ruas da capital paulista.
Em convocatória oficial, a União Nacional dos Estudantes (UNE) destacou a importância da unificação do movimento nas ruas. “Reunimos o comando do ato com o objetivo de parar as ruas de São Paulo! Exigimos mais orçamentos para as universidades estaduais… Fora Tarcísio! Respeite os estudantes”, afirmou a entidade nacional em suas redes.
O Diretório da Central dos Estudantes (DCE) da USP ressaltou a dimensão e o caráter de enfrentamento que a marcha deve assumir. “Tarcísio de Freitas é inimigo do povo! Venha para a marcha estadual rumo ao palácio do governo”.
Posições institucionais
O Conselho Reitoral das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e a reitoria da USP não se manifestaram. A reitoria da USP enfrenta um impasse com os grevistas após encerrar negociações unilateralmente e acionar a Polícia Militar para desocupar o prédio da reitoria no início de maio, episódio que gerou denúncias de violência por parte dos manifestantes. A instituição instaurou uma comissão interna de diálogo para tratar da crise.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) e a Polícia Militar não divulgaram um planejamento específico para o itinerário da marcha. Em protestos anteriores do mesmo movimento, as forças de segurança utilizaram bombas de efeito moral e gás de pimenta para dispersar os manifestantes, episódios classificados pela SSP como “briga generalizada” e repudiados pelas entidades estudantis e sindicais, que mantêm a denúncia contra o autoritarismo e a violência policial como um dos eixos da mobilização.
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