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Estudantes em greve ocupam reitoria da USP por melhores condições de permanência

Estudantes em greve ocupam reitoria da USP (foto: Wildally Souza, Jornal A Verdade)

Há 22 dias em greve, estudantes da USP ocupam o local de trabalho do reitor Aluísio Segurado após o mesmo encerrar a mesa de negociação sem avanços significativos. Os alunos exigem melhores condições de permanência na Universidade, cotas trans e se mobilizam para denunciar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), principal inimigo da juventude

Giovanna Accioli | São Paulo


Juventude – Nesta quinta-feira (07/05), o movimento estudantil da Universidade de São Paulo (USP) ocupou o prédio da reitoria, localizada no Campus Butantã, a fim de pressionar Aluísio Segurado, reitor da universidade, para negociação. 

A mobilização começou às 5h da manhã, quando os estudantes realizaram um trancaço no prédio, “Se a reitoria não vai nos receber, não têm motivo para ela funcionar”, afirma em vídeo o DCE Livre da USP, entidade de repressão estudantil da Universidade. A derrubada dos portões ocorreu por volta das 17h, quando centenas de estudantes já estavam agrupados no local, e a ocupação permanecerá por tempo indeterminado.

A decisão, deliberada em assembleia no dia 6 de maio, foi motivada pelo fechamento da mesa de negociação de forma unilateral pelo reitor. Os estudantes mobilizados protestaram de dentro do saguão por melhoria dos bandejões, e aumento do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE) para um salário mínimo paulista. 

Estopim da greve

O estopim para o início da greve foi a aprovação de uma gratificação mensal de 4 mil reais para docentes, enquanto discentes não tiveram suas demandas atendidas. Estudantes da USP exigem cotas trans, condições dignas de permanência e educação, e relatam presença de larvas, vidros e pedras presentes na comida dos restaurantes universitários, sobretudo nos privatizados.

Junto a isso os estudantes denunciam a a histórica condição precária do CRUSP, com paredes mofadas, vagas insuficientes e a falta de água que é consequência direta da privatização pelo atual governo. Tudo isso, enquanto de acordo com levantamento feito pelo DCE Livre da USP, a universidade tem 9 bilhões de reais em caixa.

Reitoria aliada ao governador fascista

A reitoria, de forma elitista, apresentou em reunião com discentes aumento de apenas 27 reais para o auxílio integral e 5 reais para os moradores do Conjunto Residencial da USP (CRUSP) e se recusou a discutir novas propostas. Além das reivindicações para a universidade, os grevistas criticam a gestão fascista do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Os estudantes enfatizam que é preciso mobilização para pressionar a atual gestão da reitoria e o atual governo do estado “Ocupar a universidade é importante para conscientizar o estudante sobre a greve, mas principalmente para elevar a consciência de quem é o verdadeiro inimigo. Essa mobilização não acaba aqui”, afirma Jotapê, integrante do Grêmio Politécnico. 

Durante assembleia na reitoria na noite de hoje (7 de maio), estudantes se organizam para continuar o ato e intensificar a pressão por melhores condições de permanência. Além disso, o movimento estudantil continua a pressionar o gabinete da reitoria para que seja aberta a mesa de negociação com a comunidade discente. 

“Um colega disse que nunca imaginou que entraria no prédio da Reitoria, eu respondi que não imaginava que entraria na USP, as antigas gerações nem sonhavam isso”, conta um dos membros do movimento estudantil na sua intervenção no ato. O momento é histórico, a última ocupação na reitoria da USP aconteceu em 2013 durante a greve desse ano. Na época, os estudantes pediam eleições mais democráticas para reitor.

No próximo dia 20 de maio, uma quarta feira, acontecerá uma marcha até o Palácio dos Bandeirantes, local onde Tarcísio de Freitas trabalha, pelos direitos e vida da juventude. A marcha, construída por trabalhadores, movimentos sociais e estudantes tem como principal pauta a derrubada do governo fascista do estado de São Paulo, inimigo número um da educação e dos trabalhadores paulistas.

Até o momento da publicação desta matéria o prédio da Reitoria continua ocupado e o reitor Aluísio Segurado não anunciou abertura de uma nova mesa de negociação com os estudantes. A Universidade de São Paulo está em greve há 22 dias e as outras universidades paulistas, Unesp e Unicamp, aprovaram greves em assembleia na última semana.