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Estudantes vão às ruas contra aumento das passagens em São Paulo

Mesmo sob chuva, estudantes ocuparam o centro de São Paulo no fim da tarde desta quarta-feira (14) para protestar contra o aumento das tarifas do transporte público, que entrou em vigor no início do ano. O ato marcou a retomada das mobilizações do movimento estudantil contra os reajustes e em defesa do Passe Livre, bandeira histórica da categoria, em um contexto de elevação de preços também em outras capitais e cidades do país.

A mobilização ocorreu poucos dias após o reajuste anunciado pela Prefeitura e pelo Governo do Estado. Na capital paulista, a tarifa do transporte sobre trilhos — trens e metrô — subiu de R$ 5 para R$ 5,20, enquanto a passagem de ônibus passou de R$ 4,40 para R$ 5. O aumento de 13,6% no ônibus é o maior registrado em São Paulo nos últimos dez anos, segundo as entidades estudantis.

“Esse é mais um ato que se soma à tradição que o movimento estudantil aqui no estado de São Paulo tem de iniciar o ano sempre ocupando as ruas em reação ao aumento da tarifa no transporte público. Também ocupamos as ruas em defesa de uma conquista histórica nossa, que foi o passe livre estudantil. Esse direito tem sofrido uma série de ataques, mas sabemos que ele é um elemento fundamental para a permanência dos estudantes na universidade”, disse Bianca Borges, presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Além do reajuste, os manifestantes reivindicaram o direito ao acesso à cidade, à cultura, ao lazer e à educação. “Nesse ato pedimos uma reivindicação histórica do movimento estudantil que é o direito ao acesso à cidade, o direito à mobilidade urbana que não por novidade, no governo de Tarcísio e de Nunes eles têm seguido a risca, a receita neoliberal que é colocar os direitos do povo, o direito público no balcão de negócios para favorecer interesses privados”, declarou Wesley Gabriel, presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP)

O protesto em São Paulo, convocado pela UEE-SP, aconteceu em frente ao Theatro Municipal, no centro da capital, e novas mobilizações já estão previstas. Em nota, a entidade afirmou que “o aumento da passagem nos ônibus municipais da capital representa o maior aumento da história enquanto a qualidade segue a mesma há mais de uma década em muitas linhas”. A prefeitura, por sua vez, sustenta que o reajuste permanece abaixo da inflação acumulada desde o último aumento, em 2020, estimada em cerca de 32%.

Na próxima quinta-feira (16), o Movimento Passe Livre também realizará manifestação no mesmo local. A organização argumenta que o reajuste vai na contramão do debate sobre o direito à cidade, em um cenário no qual 118 municípios brasileiros já adotam algum modelo de tarifa zero. Um primeiro ato do MPL ocorreu no dia 9, no Viaduto do Chá, com caminhada até o Vale do Anhangabaú, sob o lema “Transporte não é mercadoria. Transporte é nosso direito”.

Mobilizações se espalham pelo país

Os protestos não se restringiram à capital paulista. Em Campinas, estudantes realizaram um ato unificado no Terminal Central. A mobilização incluiu panfletagem e debate sobre alternativas estruturais, como a municipalização do transporte e a ampliação do passe livre, defendendo a mobilidade como política pública essencial.

Em Salvador, estudantes também foram às ruas após o aumento da tarifa de ônibus de R$ 5,60 para R$ 5,90, anunciado no início de janeiro. O ato ocorreu em frente à prefeitura e foi organizado pela União Estadual dos Estudantes da Bahia, com críticas à gestão municipal e ao impacto do reajuste no orçamento da população.

Já em Recife, estudantes, entidades sindicais e movimentos sociais protestaram no centro da cidade na manhã desta quinta-feira (15), dia em que o Conselho Superior de Transporte Metropolitano se reúne para votar o reajuste da tarifa de ônibus. Os manifestantes pressionam por barrar o aumento e por mudanças estruturais no modelo de financiamento do transporte público.

As entidades estudantis avaliam que a sequência de atos marca uma jornada nacional de mobilizações contra o encarecimento do transporte e pela retomada do debate sobre o direito à cidade, em meio ao avanço das tarifas em grandes centros urbanos.

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com agências

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