A poucas semanas da eleição presidencial no Brasil, a empresa Ascensus Global, Inc — que pertence a veteranos com deficiência nos EUA — anunciou uma vaga de professor de português brasileiro para “ensino de idiomas para militares e/ou profissionais do governo”.
A companhia presta serviços de treinamento de línguas e cultura para uma grande base de clientes, incluindo mais de 40 clientes militares e de inteligência dos EUA, bem como mais de 2.000 organizações civis governamentais, comerciais e sem fins lucrativos em diversas áreas. Como é informado no site.
Segundo o texto da vaga, o candidato deve apresentar fluência nativa em português e domínio avançado do inglês (falado e escrito), experiência profissional no ensino de português para militares ou funcionários do governo, além de experiência comprovada em tradução e interpretação, sendo “familiaridade com ambientes militares dos EUA” uma das qualificações preferenciais.
O programa será realizado entre outubro e novembro de 2026, com duração de três semanas — sendo uma virtual e duas presenciais em Montgomery, Alabama —, embora as datas não tenham sido confirmadas na aplicação. Na cidade, está instalada a Base Aérea de Maxwell, da Força Aérea norte-americana.
A empresa não revela qual órgão governamental contratou o programa, quem serão os alunos nem qual será a finalidade específica do treinamento. Segundo o site, a Ascensus possui autorização de instalação no nível Top Secret e atua em programas do Departamento de Defesa e da comunidade de inteligência.
Anúncio da vaga
Abin alerta para nível ‘crítico’ de pressão dos EUA
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elevou para “nível crítico” o risco de influência e interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano, conforme documento revelado neste sábado (19/09) pela jornalista Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, três dias depois da abertura da vaga.
A avaliação consta de um relatório reservado, encaminhado em agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça. Nele, a Abin identifica uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil” e alerta para a “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA” sobre o país, “sem ruptura de um padrão estrutural de influência já existente”.
O relatório aponta a orientação do segundo governo Trump em reafirmar “a hegemonia dos EUA na América Latina”, com o objetivo de diminuir a influência de potências rivais de Washington na região. Para isso, destaca o documento, o governo Trump vem pressionando pela “negação do acesso dessas potências a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas na região, em favor de seu controle, direto ou indireto, pelo governo dos EUA ou pelo capital privado estadunidense”.
O documento lembra que o Brasil se destaca por ter um “governo com maior disposição política e meios para defender sua autonomia estratégica, ante as pressões estadunidenses por concessões e realinhamento geopolítico”.
A Abin observa ainda que a atuação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, apresenta componente ideológico e “busca influenciar e reorientar a política externa dos países da região [América Latina]”, lembrando que, durante audiência no Senado em junho, Rubio relacionou diretamente a recuperação da hegemonia norte-americana na região “à ascensão de governos alinhados aos EUA”.
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