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EUA ameaçam impor novas sanções ao Brasil após condenação de Bolsonaro

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou nesta segunda-feira (15) que os Estados Unidos anunciarão, nos próximos dias, medidas contra o Brasil em reação à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A declaração, dada em entrevista à rede Fox News durante visita a Israel, soma-se a uma série de ofensivas do governo de Donald Trump contra a democracia brasileira.

Rubio acusou o Supremo Tribunal Federal (STF) de “deteriorar o Estado de Direito” e classificou os ministros como “juízes ativistas”. 

Sem citar nomes, fez referência ao ministro Alexandre de Moraes e chegou a afirmar que o magistrado teria buscado impor sanções contra cidadãos norte-americanos, numa distorção das decisões do STF que atingiram contas de desinformação hospedadas em plataformas nos EUA.

“O julgamento é apenas mais um capítulo de uma crescente campanha de opressão judicial que tem tentado atingir empresas americanas e até mesmo pessoas que operam fora dos Estados Unidos”, declarou.

O anúncio de possíveis sanções escancara a ingerência de Washington sobre os assuntos internos do Brasil. 

Segundo a imprensa norte-americana, estão em avaliação novas cassações de vistos, a inclusão da esposa de Moraes, Viviane Barci, no rol de sancionados pela Lei Magnitsky — que prevê bloqueio de bens e restrições financeiras — e até a revisão das exceções concedidas à tarifa de 50% aplicada por Trump às exportações brasileiras.

Essas medidas reforçam a escalada de retaliações que o governo norte-americano vem promovendo desde julho, quando o presidente republicano enviou carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciando o tarifaço contra o Brasil. 

Naquele mês, os EUA revogaram os vistos de oito ministros do STF e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Moraes foi incluído na lista da Lei Magnitsky, medida que Washington costuma aplicar em casos de corrupção e violações de direitos humanos.

Pressão política em defesa de Bolsonaro

Bolsonaro foi condenado pelo STF, na última quinta (11), a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de tentativa de golpe de Estado e associação criminosa, entre outros. 

Desde o início de agosto cumpre prisão domiciliar, determinada por Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito que investiga a atuação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP). R

adicado nos EUA, o deputado tem usado redes sociais para pressionar o governo Trump a impor sanções contra ministros da Corte, integrantes da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal.

As ameaças de Rubio se alinham ao discurso de Trump, que já havia classificado o julgamento como “terrível” e “muito ruim para o Brasil”, comparando o caso à própria situação judicial nos EUA após os ataques de 6 de janeiro de 2021. 

O presidente republicano chamou Bolsonaro de “bom homem” e afirmou que Washington dará uma “resposta à altura”.

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