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EUA classificam PCC e CV como terroristas e tentam livrar clã Bolsonaro de crimes

O governo norte-americano anunciou, nesta quinta-feira (28), a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGTs), com intenção de incluí-los na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) a partir de 5 de junho.

O secretário de Estado Marco Rubio justificou a medida alegando que as facções são “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”.

A decisão foi comemorada por Flávio Bolsonaro como “grande dia”, após ele ter pedido diretamente a Donald Trump e a Rubio, na Casa Branca, que as facções brasileiras fossem tratadas como terroristas.

Por trás dessa classificação existe um qui pro quo – uma troca de favores – que serve de esteio para entender o momento e os interesses em jogo. Acuado por investigações da Polícia Federal que avançam sobre ligações entre crime organizado de alto nível e estruturas ligadas à família Bolsonaro (casos Banco Master/Vorcaro e offshores em Delaware), Flávio oferece aos norte-americanos adesão imediata a interesses estratégicos dos Estados Unidos: exploração de terras raras e minérios brasileiros, afastamento da China e alinhamento regional. Em contrapartida, busca blindagem das investigações que atingem o clã e apoio político-eleitoral para sua candidatura presidencial. O rótulo de “terrorista” aplicado ao PCC e ao CV funciona, nesse contexto, como pretexto espúrio para legitimar operações secretas e militares norte-americanas no Brasil.

Essa decisão se insere em uma escalada militar dos EUA na região. Desde 2025, sob o pretexto de combate ao “narco-terrorismo”, os norte-americanos lançaram a Operation Southern Spear, mobilizando até 15 mil militares no Caribe, realizando dezenas de ataques aéreos que mataram quase 200 pessoas e evoluindo para o sequestro de Nicolás Maduro na Venezuela em janeiro de 2026. O mesmo modelo – rotular grupos como terroristas para justificar intervenção – agora é estendido ao Brasil.

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, reagiu com firmeza: “Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável, afirmou.”O qui pro quo de Flávio repete um padrão histórico de interferência norte-americana na política brasileira”.

Desde a Operação Lava Jato, promotores brasileiros mantiveram colaboração secreta com o Departamento de Justiça e o FBI norte-americano, burlando tratados e a legislação nacional. Os vazamentos da Vaza Jato revelaram que essa articulação contribuiu para a prisão ilegal de Lula, o impeachment de Dilma e a eleição de Jair Bolsonaro – um governo submisso aos interesses norte-americanos. Agora, diante do avanço da PF sobre as operações secretas da família Bolsonaro, o mesmo mecanismo de troca reaparece: concessões estratégicas em troca de proteção.

A decisão norte-americana pode, no mínimo, constranger o sistema financeiro brasileiro. Com congelamento de ativos, sanções secundárias e proibição de transações envolvendo qualquer instituição considerada ligada – mesmo indiretamente – às facções designadas, bancos, fundos e empresas nacionais ficam expostos a isolamento e perda de acesso a mercados e correspondentes internacionais.

Prejuízo das operações nacionais

Especialistas alertam para os riscos operacionais e de soberania. O promotor de Justiça Lincoln Gakiya destacou que a mudança leva as investigações compartilhadas em Brasil e EUA, pra em curso, para a CIA, que pode tornar informações secretas e prejudicar o trabalho da PF brasileira. O ex-secretário nacional de Segurança Mário Sarrubo afirmou que a decisão “deteriora o sistema de cooperação”.

A contradição é evidente. Como observa o analista Walter Fangnelo Maiorovich, é incoerente um clã que construiu sua imagem no discurso de combate ao crime estar mancomunado com estruturas milicianas no Rio de Janeiro e, ao mesmo tempo, recorrer aos norte-americanos sob o pretexto de combater facções. A família Bolsonaro sempre manteve relações ambíguas com milícias – grupos paramilitares que controlam territórios e praticam extorsão. Usar o rótulo de “terrorista” contra o PCC e o CV para legitimar interferência estrangeira, enquanto se busca proteção para as próprias redes, configura submissão da soberania em troca de benefícios pessoais e eleitorais.

O combate ao crime organizado exige Estado forte, Polícia Federal atuante e cooperação internacional que não sacrifique a soberania nacional.

A troca de favores agora em curso revela que a classificação do PCC e do CV como terroristas não é apenas uma medida de segurança: é o instrumento que permite aos norte-americanos pressionar o Brasil exatamente no momento em que investigações internas tocam interesses do clã Bolsonaro.

A história recente mostra que, a extrema direita brasileira não se preocupa com a soberania do Brasil e que mantém os interesses privados acima da nação.

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