Os Estados Unidos firmaram um “acordo” para adquirir petróleo venezuelano pelo valor de produção, com direito de veto sobre decisões estratégicas em uma empresa com concessão de um século. O caso acende um alerta para o Brasil reforçar a proteção sobre seus recursos naturais, como o pré-sal. Entenda com a TVT News e informações da reportagem do jornal O Globo.
Principais pontos do acordo entre EUA e o petróleo da Venezuela
- Os Estados Unidos terão participação de 35% na empresa controladora da North American Blue Energy Partners (NABEP), segundo o governo norte-americano.
- A empresa recebeu concessões de 100 anos para 17 campos de petróleo venezuelanos, com reservas provadas estimadas em aproximadamente 65 bilhões de barris.
- O governo dos EUA terá direito de comprar 20% da produção pelo custo de produção, sem margem de mercado.
- Washington terá ainda direito de preferência para comprar os 80% restantes da produção em determinadas circunstâncias.
- Os Estados Unidos terão poder de veto sobre a indicação de integrantes do conselho da empresa, além da exigência de que a maioria dos membros seja formada por cidadãos norte-americanos.
- O governo venezuelano afirma que o acordo terá duração de 25 anos, enquanto a estrutura empresarial anunciada pelos EUA prevê concessões de 100 anos, criando uma diferença importante entre os dois entendimentos.
- O objetivo anunciado é elevar a produção venezuelana para mais de 1,5 milhão de barris por dia e atrair investimentos para recuperar a indústria petrolífera.
- O acordo envolve campos que estavam ligados à produção venezuelana e que poderão voltar a receber investimentos de grandes empresas internacionais.
EUA vão comprar petróleo a preço de custo da Venezuela
Um dos pontos mais relevantes do acordo é o direito concedido aos Estados Unidos de comprar uma parcela da produção venezuelana pelo preço de custo.
Segundo a Casa Branca, o Departamento de Estado norte-americano terá direito de adquirir 20% da produção atual e futura dos campos operados pela NABEP pelo custo de produção. Washington também terá direito de preferência para comprar a parcela restante da produção.
Na prática, o mecanismo garante aos EUA acesso privilegiado ao petróleo venezuelano. O governo norte-americano também terá participação societária na empresa responsável pelos campos e influência sobre a composição de seu conselho de administração.
O governo Trump apresenta o acordo como uma forma de garantir segurança energética aos Estados Unidos e recuperar a indústria petrolífera venezuelana.

A Casa Branca afirma que o pacto dará aos EUA acesso a mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas, volume superior às reservas comprovadas de petróleo atualmente existentes em território norte-americano, segundo os dados apresentados pelo próprio governo.
Para a Venezuela, o governo interino argumenta que o acordo poderá gerar investimentos e recuperar uma indústria afetada por anos de crise, sanções e problemas de infraestrutura. Rodríguez afirmou que, considerando um preço de referência de US$ 65 por barril, o país poderia receber mais de US$ 209 bilhões ao longo de 25 anos.
A questão, porém, vai além dos valores anunciados. O caso venezuelano mostra como uma crise econômica e política pode abrir espaço para que potências estrangeiras ampliem sua influência sobre recursos estratégicos de um país.
Com informações da Bloomberg e jornal O Globo
Soberania em risco: o que a concessão do petróleo da Venezuela ensina ao Brasil
Este acordo sobre o petróleo da Venezuela mostra como potências estrangeiras podem se apropriar de recursos naturais de países em situação de vulnerabilidade ou em desenvolvimento, como são as nações da América Latina. A entrega de uma concessão de 100 anos, com poder de veto e preço de custo, representa a perda do controle nacional sobre uma riqueza estratégica.
Para o Brasil, o exemplo serve de advertência. O país possui reservas expressivas no pré-sal e áreas ainda não exploradas, como a Margem Equatorial.
A defesa da soberania energética brasileira passa por manter o controle estatal sobre as decisões de exploração, garantir que a riqueza gerada fique no país e impedir contratos que comprometam o futuro das próximas gerações.
Brasil tem potencial de novos poços de petróleo no pré-sal
O Brasil também está diante de uma nova fronteira de exploração de petróleo. Em agosto de 2026, a Petrobras confirmou a presença de hidrocarbonetos no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá.

O poço está em águas ultraprofundas, com lâmina d’água de 2.886 metros. A confirmação foi feita depois da identificação de hidrocarbonetos durante a perfuração. A Petrobras, porém, ainda precisa concluir os trabalhos e realizar novas avaliações antes de estimar o tamanho da eventual reserva.
O que o presidente Lula tem falado sobre soberania
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem associado a exploração de petróleo à soberania brasileira, especialmente diante da descoberta na Foz do Amazonas.
Durante visita ao Amapá, em agosto, Lula comparou a confirmação de petróleo na região à descoberta do pré-sal, em 2007. Para o presidente, o novo achado pode representar uma fonte importante de recursos para o futuro do país.

Lula também afirmou que a descoberta na Foz do Amazonas é estratégica para a Petrobras e para o Brasil e relacionou diretamente o petróleo à soberania nacional. O presidente defendeu que o país não deve abrir mão do controle sobre seus recursos naturais.
A posição também aparece em outras declarações do presidente. Em maio, ao anunciar investimentos da Petrobras no Amazonas, Lula relacionou a produção nacional de equipamentos e a capacidade tecnológica brasileira à soberania do país.
Em fevereiro, durante a abertura do Ano Judiciário, Lula afirmou que nenhuma nação deve ser construída sob tutela e que o Brasil deveria responder a pressões externas com base no direito internacional e na força de suas instituições.
Lula também tem destacado que a exploração do pré-sal deve servir para financiar educação, saúde e infraestrutura no Brasil, e não para enriquecer corporações estrangeiras. A posição do governo é clara: recursos naturais pertencem ao povo brasileiro.
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