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EUA e Dinamarca firmam acordo sobre Groenlândia, após ameaças de anexação

Os Estados Unidos e a Dinamarca chegaram a um acordo sobre a Groenlândia que permite a ampliação da presença militar norte-americana no território autônomo do Ártico. Ao anunciar a negociação nesta sexta-feira (18/09), após meses ameaçando anexar a ilha, o presidente Donald Trump classificou a tratativa como “um sonho realizado”.

O acordo mantém formalmente a Groenlândia dentro do Reino da Dinamarca e reconhece seu direito à autodeterminação. Os detalhes do pacto ainda não foram divulgados, mas os governos da Dinamarca e da Groenlândia confirmaram que o documento será assinado na próxima semana, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, que acontece entre 22 e 28 de setembro.

“Iniciaremos imediatamente o processo de desenvolvimento de uma grande presença militar na parte apropriada da Groenlândia”, disse Trump. Ele relatou que os Estados Unidos terão “controle permanente sobre a segurança e todas as outras necessidades na Groenlândia, atendendo completamente a todas as nossas muitas preocupações americanas”.

Disse, ainda, que “nenhum adversário dos EUA jamais poderá ter uma base na Groenlândia, ter presença militar na Groenlândia ou fazer investimentos sensíveis na Groenlândia sem nossa expressa aprovação por escrito”.

Imagem postada por Trump em 20 de janeiro nas redes sociais em meio às ameaças de anexação do território
@realDonaldTrump / Truth Social

Dinamarca e Groenlândia

Os governos da Dinamarca e da Groenlândia enfatizam que a negociação não representa transferência de soberania para Washington. O primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, afirmou ser um “motivo de alegria” estar prestes a concluir um acordo que “assegure e fortaleça a segurança da Groenlândia, do Reino da Dinamarca, dos Estados Unidos e da aliança ocidental”.

“O acordo reconhece os interesses da Groenlândia e nosso lugar na cooperação internacional. Isso beneficia a todos nós”, afirmou.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, também comemorou o acordo, ressaltando os limites do entendimento: “um acordo que fortalece nossa segurança comum no Ártico e na região do Atlântico Norte e que, portanto, também é bom para a Otan e para a Europa”.

Ela frisou que se trata de uma tratativa “que, ao mesmo tempo, reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino da Dinamarca, assim como o direito do povo groenlandês à autodeterminação.”

Minerais e posição estratégica

Estrategicamente localizada entre a América do Norte, a Europa e o Ártico, a Groenlândia possui grandes reservas minerais e abriga cerca de 56 mil habitantes.

A região detém posição estratégica para sistemas militares de vigilância e defesa do Ártico. Washington já mantinha sua presença militar, operando a Base Espacial de Pituffik, desde a Guerra Fria.

Desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025, Trump passou a defender abertamente o controle norte-americano da Groenlândia, alegando razões de segurança e citando a presença da Rússia e da China no Ártico.

A pressão durou mais de um ano, incluindo ameaças de tarifas e até do emprego de força militar para assumir o controle da ilha, gerando reação dos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que chegaram a realizar um exercício militar na região com a participação da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.

 

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