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EUA e Irã suspendem ataques e retomam negociações sobre Ormuz

Após quatro dias de trocas de agressões no Golfo Pérsico, Estados Unidos e Irã concordaram neste domingo (28) em interromper as hostilidades e retomar as negociações sobre a implementação do memorando assinado em 17 de junho. 

A decisão tenta conter a maior crise desde a assinatura do acordo e abre uma nova rodada de disputa sobre o Estreito de Ormuz, usado por Teerã como instrumento de pressão diante das tentativas de Washington de reduzir seu controle sobre a passagem.

Segundo autoridades norte-americanas ouvidas pela Reuters e pelo site Axios, os dois países aceitaram suspender temporariamente os ataques e retomar as negociações técnicas sobre os pontos ainda pendentes do memorando de 14 itens firmado neste mês.

As conversas devem prosseguir nos próximos dias com mediação do Catar e terão como foco tanto a navegação pelo Estreito de Ormuz quanto os mecanismos de implementação do acordo. 

Decidimos cessar toda atividade cinética”, disse um alto funcionário dos Estados Unidos.

“As conversas técnicas devem prosseguir em todas as áreas do memorando de entendimento. Ambos os lados suspenderão as ações hostis por enquanto, e as embarcações poderão transitar livremente”, afirmou.

A nova crise começou na última quinta-feira (25), após um cargueiro ser atingido nas proximidades do Estreito de Ormuz. 

Washington responsabilizou Teerã pelo incidente e respondeu, na sexta-feira (26), com ataques contra instalações militares, depósitos de drones e radares costeiros iranianos.

O governo iraniano afirmou que a ofensiva norte-americana violava os compromissos assumidos no memorando e respondeu atingindo alvos ligados às forças dos Estados Unidos na região. 

No sábado (27), um segundo navio foi atingido e novos ataques foram registrados dos dois lados.

A escalada atingiu seu ponto mais grave quando o presidente Donald Trump declarou que a República Islâmica poderia “deixar de existir” caso o conflito continuasse. Horas depois, a Guarda Revolucionária anunciou ataques contra instalações militares norte-americanas no Bahrein e no Kuwait.

A crise que levou à retomada dos confrontos está diretamente ligada à disputa sobre a implementação do acordo firmado em 17 de junho.

A divergência está relacionada à interpretação do Artigo 5 do memorando, que trata da reabertura do Estreito de Ormuz e da retomada da navegação comercial.

O texto prevê a remoção de obstáculos militares, a garantia de passagem segura para navios mercantes e a realização de negociações entre Irã e Omã para definir a futura administração da hidrovia.

Para Teerã, o dispositivo atribui ao Irã a responsabilidade pela supervisão do estreito durante o período de implementação do acordo. Já Washington passou a defender corredores alternativos de navegação próximos à costa de Omã, reduzindo na prática a influência iraniana sobre o tráfego marítimo.

O chanceler Abbas Araghchi reafirmou neste domingo que o governo iraniano não pretende abrir mão dessa prerrogativa.

“O Estreito de Ormuz permanece sob total supervisão e administração do Irã pelos próximos 30 dias”, declarou durante visita ao Iraque.

“Essa responsabilidade pertence à República Islâmica do Irã. Não existe outra parte ou outro Estado responsável por isso”, acrescentou.

A disputa em torno de Ormuz, entretanto, não é o único fator de tensão.

O governo iraniano continua acusando os Estados Unidos de não cumprirem o compromisso de garantir o cessar-fogo em todas as frentes do conflito. Apesar das negociações em andamento, Israel mantém operações militares no sul do Líbano e segue defendendo a permanência de tropas em áreas ocupadas do território libanês.

Por isso, embora a retomada do diálogo tenha reduzido o risco imediato da retomada guerra regional, os dois principais impasses do acordo permanecem abertos: o controle do Estreito de Ormuz e o futuro da ocupação israelense no sul do Líbano.

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