O governo dos Estados Unidos pretende anunciar, na próxima quarta-feira (20/05), acusações criminais contra o ex-presidente cubano Raúl Castro. A informação foi divulgada pela Reuters, com base em relatos de um funcionário do Departamento de Justiça norte-americano.
Segundo ele, promotores federais em Miami trabalham para apresentar uma acusação formal relacionada a um episódio ocorrido em 1996, quando aviões da organização anticastrista Brothers to the Rescue foram abatidos pela força aérea cubana, resultando na morte de quatro pessoas. Na quarta-feira (20/05), o Ministério Público Federal em Miami realizará um evento em homenagem às vítimas do incidente.
O principal procurador federal em Miami, Jason Reding Quiñones, é apontado por fontes ouvidas pela agência britânica como aliado político do presidente norte-americano, Donald Trump. A acusação ainda precisará ser aprovada por um júri popular.
Na época, o então presidente Fidel Castro afirmou que as Forças Armadas cubanas atuavam sob “ordens permanentes” para derrubar aviões que violassem o espaço aéreo cubano. A ação militar, sustentava o líder cubano, foi uma resposta legítima à entrada ilegal de aeronaves no seu espaço aéreo.
Fidel também negou que seu irmão, Raúl Castro, à frente do Ministério da Defesa, tivesse emitido uma ordem específica para o ataque. Os líderes cubanos nunca chegaram a ser formalmente acusados. Em 2003, o Departamento de Justiça norte-americano tentou retomar o caso, denunciando três militares cubanos.
Raúl Castro, que tem hoje 94 anos, governou Cuba entre 2008 e 2018, promovendo mudanças importantes no país, como o reconhecimento do trabalho privado e reestruturação de ministérios e agências para dar mais vitalidade à economia nacional.

Juvenal Balán/Granma
Visita de Ratcliffe
O anúncio ocorre após a visita a Cuba, nesta quinta-feira (14/05), do diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos, John Ratcliffe. Ele se encontrou com integrantes do Ministério do Interior cubano, incluindo o titular da pasta Lázaro Álvarez Casas.
Segundo a Reuters, Ratcliffe teria enviado uma mensagem de Trump de que os Estados Unidos “se envolveriam seriamente” com o governo da ilha em questões econômicas e de segurança “se houver mudanças fundamentais” no país.
Na véspera da visita, Washington formalizou oficialmente o envio de assistência humanitária ao país, após meses de imposição de um severo bloqueio energético contra a ilha.
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