
O Estreito de Ormuz se consolida como o epicentro de uma guerra que mudou de face. O conflito deixou de ser apenas uma troca de mísseis para se tornar uma operação de asfixia naval que muitos analistas já classificam como uma “pirataria de Estado” institucionalizada.
O discurso oficial em Washington é de vitória total. Em boletim recente, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, declarou que a Operação Epic Fury neutralizou a capacidade industrial militar do Irã, destruindo bases em Bandar Abbas e eliminando a frota convencional do país. Para o Pentágono, sem navios de grande porte, o Irã teria sido “varrido” do xadrez marítimo.
No entanto, há uma contradição entre os anúncios do Pentágono e a realidade no Golfo. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) mantém o que chama de “controle inteligente” da região. Em vez de fragatas vulneráveis a radares, Teerã aposta na resistência invisível: milhares de lanchas rápidas, minas navais inteligentes e baterias de mísseis ocultas nas montanhas de Zagros. O Irã prova que não precisa de uma marinha clássica para manter o Estreito sob tensão; basta a capacidade de negar o uso da área ao inimigo.
O “lawfare” naval dos Estados Unidos
O bloqueio iniciado em 13 de abril, sustentado por 10 mil militares e sistemas de vigilância Aegis, introduz um conceito perigoso: o lawfare naval. Sob o pretexto de “garantir a liberdade de navegação”, os EUA utilizam normas internacionais de forma distorcida para apreender cargas e coagir navios mercantes.
Essa estratégia de guerra híbrida funciona como uma pirataria moderna, onde a força bruta é justificada por interpretações unilaterais do direito marítimo. Ao forçar o recuo de 13 petroleiros e o desvio de rotas comerciais, Washington tenta estrangular a economia iraniana sem precisar declarar formalmente uma guerra total, que teria impactos ainda mais catastróficos nos mercados.
Volatilidade do barril do petróleo
O mercado de energia reflete o cabo de guerra. Embora o petróleo tenha disparado acima dos US$ 111 o barril, os preços fecharam ontem com o Brent a US$ 94,93 e o WTI a US$ 91,29. A queda pontual indica que o mercado respira aliviado com o cessar-fogo no Líbano, mas a tensão estrutural em Ormuz impede qualquer estabilidade real.
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A trégua de dez dias no Líbano — condicionada pelo Hezbollah à retirada total das forças israelenses do sul — serve a um propósito tático claro para o eixo EUA-Israel: isolar Teerã. Ao “congelar” a frente libanesa, Israel consolida sua zona de segurança de dez quilômetros, enquanto os EUA reposicionam seus porta-aviões no Golfo de Omã para intensificar a pressão sobre o regime iraniano.
Resistência e soberania
Com mais de 3 mil mortos no Irã e uma infraestrutura civil devastada, o cenário é de crise humanitária aguda. Contudo, a história mostra que vitórias navais não garantem rendições políticas. A resistência assimétrica iraniana e a crescente solidariedade de nações do Sul Global como a China e a Rússia contra a pirataria econômica sugerem que o controle dos oceanos por Washington é, hoje, mais uma propaganda de poder do que uma realidade concreta.
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