Mais de 300 protestos contra a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) norte-americano devem tomar várias regiões dos Estados Unidos neste sábado (31/01). Intitulado “ICE Fora de Todos os Lugares”, o movimento confronta as táticas anti-imigração adotadas pelo governo de Donald Trump, que deixaram dois civis mortos em Minneapolis e na vizinha St. Paul.
Os atos convocados pela organização 50501 estão previstos em todos os estados norte-americanos, e devem acontecer ao redor de centros de detenção, escritórios do ICE e parlamentos locais.
Manifestantes também devem se reunir em aeroportos como forma de criticar companhias aéreas usadas para transportar pessoas deportadas pelo governo norte-americano.
Protestos também acontecem em Milão, onde manifestantes criticam o envio de agentes do ICE ao destacamento de segurança dos atletas dos próximos Jogos Olímpicos de Inverno.
No Congresso norte-americano, senadores republicanos abriram uma disputa sobre a nova legislação orçamentária. Parlamentares democratas defendem o bloqueio dos recursos para impedir um aumento do financiamento do Departamento de Segurança Interna, que supervisiona o ICE.
Governo e oposição fizeram um acordo para manter funcionamento parcial do governo e votar separadamente os recursos para o órgão, mas a proposta só será analisada pela Câmara dos Representantes, a casa baixa do Congresso, na segunda-feira (02/01). Até lá, o governo deve enfrentar uma paralisação parcial.
Milhares protestam em Minneapolis
Na sexta-feira (30/01), milhares de pessoas já haviam tomado as ruas de Minneapolis, epicentro dos confrontos com o ICE, em um dia que também teve uma greve geral “sem trabalho, sem escola, sem compras”.
Eles carregavam cartazes sob temperaturas congelantes com frases como “ICE fora agora” e pediam o impeachment de Trump. O músico Bruce Springsteen participou de um show beneficente.
A paralisação também atingiu Los Angeles e o boicote às aulas foi registrado em Indiana, Wisconsin e Maine. Algumas escolas no Arizona, Colorado e em outros estados cancelaram as aulas de forma preventiva, antecipando ausências em massa.
No mês passado, o ICE lançou a Operação Metro Surge em Minneapolis, numa tentativa de deter imigrantes indocumentados na área metropolitana. Cerca de 3 mil agentes federais foram destacados. Mas a morte de dois cidadãos norte-americanos, Renee Good e Alex Pretti, provocou indignação inclusive de aliados de Trump.

RS/Fotos Públicas
Departamento de Justiça abre investigação
O Departamento de Justiça dos EUA abriu uma investigação de direitos civis sobre a morte do enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, baleado por agentes federais.
“Estamos analisando tudo o que possa esclarecer o que aconteceu naquele dia e nas semanas anteriores”, disse o vice‑procurador‑geral Todd Blanche.
A decisão levantou dúvidas sobre a capacidade do governo federal de investigar de forma independente uma morte causada por seus próprios agentes. Além disso, a investigação sobre a morte de Renee Good, baleada por um agente do ICE, não foi aberta.
Contudo, o governo Trump indiciou o ex‑âncora da CNN norte-americana Don Lemon e outras oito pessoas por violações de direitos civis, após o jornalista cobrir um protesto em uma igreja onde um funcionário do ICE atua como pastor.
Lemon é acusado de conspiração para privar direitos e interferir em direitos garantidos pela Primeira Emenda. Ele foi detido e liberado após audiência de custódia. “Não há momento mais importante do que este, exatamente agora, para uma mídia livre e independente que ilumine a verdade e responsabilize aqueles que estão no poder”, disse ele.
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