Notícias

EUA usam a sede como arma de guerra contra o Irã

Os ataques dos EUA a depósitos de combustível criaram chuva tóxica que queima a pele e destrói os pulmões, e que os ventos estão carregando para nordeste, em direção à Ásia Central.

A guerra iniciada em 28 de fevereiro pelos EUA e Israel contra o Irã atinge um estágio de ruptura da moralidade internacional com a transformação de recursos hídricos em alvos militares diretos. No último sábado (07), contrariando a Convenção de Genebra, bombardeios dos Estados Unidos destruíram a usina de dessalinização na ilha de Qeshm, no Irã, interrompendo o fornecimento de água potável para 30 vilarejos.

O ataque ocorre em uma nação que já enfrentava crises severas de abastecimento antes do conflito, o que revela uma tentativa deliberada de Trump de impor a privação de um recurso vital para sublevar a população contra o governo iraniano.

A estratégia, no entanto, não surtiu o efeito de desestabilização interna esperado; o regime de Teerã mantém-se fortalecido e respondeu no domingo (08), utilizando drones contra uma unidade de dessalinização no Bahrein, que fornece água para as bases navais americanas. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, classificou a ação inicial de Washington como um “crime flagrante e desesperado”, estabelecendo o precedente de que a infraestrutura civil hídrica tornou-se o novo centro de gravidade das hostilidades. 

A água potável também está sendo contaminada pela chuva tóxica que foi criada pelas fumaças provocadas pelos ataques norte-americanos a depósitos de combustível no Irã.  A chuva tóxica queima a pele e destrói os pulmões.  Os ventos estão carregando as nuvens contaminadas para o nordeste, em direção à Ásia Central. 

A sede como arma de submissão

O uso da sede como arma de guerra não é um fenômeno isolado, mas uma tática recorrente de dominação. Na Palestina, o cenário de terra arrasada conduzido por Israel serve de espelho para a atual escalada.

Desde 2023, 90% da infraestrutura de saneamento em Gaza foi destruída, deixando 97% da água imprópria para consumo e causando prejuízos de US$ 29,9 bilhões em ativos, segundo o Banco Mundial. Na Cisjordânia, o controle desigual e mais de 250 ataques a fontes de água entre 2021 e 2025 já haviam sido denunciados por organismos internacionais como barreiras deliberadas à sobrevivência e ao desenvolvimento dos palestinos.

Embora o uso da água em conflitos remonte aos cercos da Antiguidade e aos bombardeios na 2ª Guerra Mundial, o ataque atual a modernas usinas de dessalinização — em regiões onde a disponibilidade de água doce é dez vezes inferior à média global — projeta um colapso sanitário sem precedentes.

No sábado (7), em entrevista a bordo do Air Force One após a cerimônia de recepção dos corpos de seis soldados mortos em combate, o presidente norte-americano Donald Trump negou de modo cínico as acusações de ataques a alvos civis. Ao ser questionado sobre o bombardeio da usina de dessalinização em Qeshm e os danos a escolas, Trump reagiu com irritação. Refutou o que chamou de fixação da “mídia de esquerda” em “defender ou minimizar” as ações iranianas — a quem acusou de “cortar cabeças de bebês” (sic) —, enquanto negou responsabilidade direta por danos civis e atribuiu a destruição da escola de meninas ao próprio Irã.

Ao mirar a sobrevivência básica de milhões de civis, os EUA e seus aliados abandonam qualquer pretensão de ética humanitária e apelam à “geopolítica da sede”, que utiliza a inviabilidade da vida como instrumento de extermínio e pressão militar.

O post EUA usam a sede como arma de guerra contra o Irã apareceu primeiro em Vermelho.