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Por Martín Cúneo, em El Salto | Tradução: Antonio Martins
De maio de 2025 até julho deste ano, a chamada Geração Z, formada por jovens nascidos perto da virada do milênio, protagonizou ou se tornou a face mais visível das revoltas que correram o mundo. Seus movimentos abalaram a vida política de países tão distantes e diversos como Bangladesh, Nepal, Indonésia, Marrocos, Madagascar, Peru, Bulgária, Filipinas, Camarões, Timor-Leste e Índia.
No Nepal , Madagascar , Bangladesh e Bulgária , a nova geração contribuiu para a queda do governo ou provocou-a diretamente. Em outros casos, as revoltas conseguiram revogar privilégios (Timor ou Indonésia ), obter ampliações sem precedentes nos serviços públicos ( Marrocos ) ou levar à renúncia de ministros ( Índia).
Não foram apenas os jovens que se mobilizaram. Mas em todos esses casos eles se tornaram o centro de coalizões mais amplas com outros setores descontentes para protestar contra a desigualdade, os privilégios, a corrupção, a deterioração do padrão de vida, a pobreza e a crise econômica.
Essa fórmula está sendo replicada neste outono europeu em muitos países do continente, que mal sentiu os abalos sísmicos das revoltas iniciais. A Espanha, tal como em 2011 anos, tornou-se uma fonte de inspiração para outros países com a revolta habitacional iniciada pelo Sindicato dos Inquilinos após o despejo de Maricarmen Abascal, em Madri, em 23 de setembro, e sua morte, dias depois. Embora os protestos tivessem inicialmente um caráter intergeracional, os acampamentos, em diversas cidades, foram e continuam a ser liderados por jovens nascidos no século XXI , com menos de 25 anos, que encaram com apreensão seu futuro, sua capacidade de se tornarem independentes ou de construírem as suas próprias vidas.
O movimento por moradia — que vai muito além da Geração Z — forjou alianças com outros grandes movimentos dos últimos anos: a luta pela saúde e pela educação pública . Essas causas convergiram nas últimas semanas em mobilizações históricas com uma presença significativa de trabalhadores e aposentados, mas também de uma onda de jovens nascidos neste século, uma diversidade que desafia definições simplistas. As mobilizações converteram-se em greve estudantil em Madri, especialmente na Universidade Complutense. Também produziram ocupações, bloqueios, piquetes, manifestações, protestos — e repressão policial desenfreada…
As alianças também se estenderam ao mundo do trabalho, com a convocação da greve geral de 11 de novembro e a criação de centenas de comitês para preparar a paralisação. Embora não expliquem tudo, tanto na habitação quanto na educação, a chamada Geração Z e, em alguns casos, a Geração Alfa — nascida após 2010 — estão desempenhando um papel decisivo. Revelam a existência uma juventude muito mais politizada e disposta a se mobilizar do que os estereótipos e a grande mídia sugeriam. O caso da França e os protestos estudantis do ensino médio são ainda mais claros.
França
Além da Espanha, o outro grande centro de protestos na Europa é a França, onde a resposta estudantil ao mais um pacote de austeridade mergulhou mais uma vez em crise o governo do primeiro-ministro Emmanuel Macron. O movimento, que começou com estudantes do ensino médio no norte de Paris — pertencentes à Geração Alfa — espalhou-se por mais de mil escolas, chegou às universidades e ganhou força em sindicatos e associações de pais e professores. Na terça-feira, 6 de outubro, mais de meio milhão de pessoas foram às ruas para protestar contra as políticas neoliberais de Macron.
A poucos meses das eleições presidenciais, e com as pesquisas indicando uma vitória apertada da extrema direita, as ocupações em centenas de escolas e as manifestações — que reúnem cada vez mais setores da população – mudaram um roteiro que parecia já escrito.
Em 13 de outubro, centenas de milhares de pessoas, em sua maioria jovens, voltaram às ruas para protestar contra os cortes anunciados de 54 bilhões de euros e exigir melhorias em um sistema educacional que segrega e perpetua as desigualdades sociais. Durante a marcha, a ativista climática Greta Thunberg traçou paralelos entre a mobilização estudantil francesa, o Movimento das Baratas na Índia (que surgiu entre estudantes exigindo reformas na educação) e o movimento por moradia na Espanha. Sustentou tratar-se de uma nova onda de protestos de jovens, que veem seu futuro sendo “roubado”.
O movimento estudantil francês começou exigindo a reforma física das escolas, mais funcionários e bolsas de estudo, melhores salários e moradia estudantil. Mas a revolta transcendeu suas reivindicações iniciais, tornando-se uma rebelião contra as políticas de “austeridade” do governo Macron. A CGT — o maior sindicato do país — e o partido La France Insoumise (LFI), de Jean-Luc Mélenchon, juntaram-se aos protestos. As manifestações foram recebidas com violência policial, que deixou pelo menos
Neste sábado, 17 de outubro, uma nova mobilização reuniu quase um milhão de pessoas — segundo os organizadores — em 500 ações e 90 manifestações por todo o país, incluindo estudantes, “coletes amarelos” e trabalhadores convocados pelas principais centrais sindicais. A repressão violenta da polícia resultou em tumultos em diversas cidades. Mais de 1.800 pessoas foram presas. Em Lyon, o escritório de turismo foi incendiado. Em Limoges, a prefeitura foi consumida pelas chamas. Carros capotados, lojas saqueadas, mobiliário urbano destruído e o clássico calçamento de paralelepípedos dos protestos franceses marcaram um dia caótico em que as autoridades governamentais locais e federais foram completamente sobrecarregadas.
Em segundo plano, tramita um projeto de lei que visa conter um déficit de 5% utilizando parte do orçamento da educação para o pagamento de aposentadorias, ao mesmo tempo que implementa cortes drásticos nos serviços públicos. A aprovação final do projeto torna-se cada vez mais improvável devido à ampla oposição nas ruas.
Jon Henley, analista e correspondente do The Guardian, traçou um paralelo entre as mobilizações na Espanha e na França. Embora tenham origens e trajetórias diferentes, “as duas ondas de protestos, lideradas principalmente por jovens, exemplificam um problema crescente para os governos da Europa Ocidental: uma geração de jovens que se sente cada vez mais privada da segurança socioeconômica básica que seus pais geralmente desfrutavam”. Enquanto o LFI de Jean-Luc Mélenchon se alinhou aos protestos de rua e está ganhando popularidade entre os jovens que o apoiam em massa, explica o analista, o partido de extrema-direita de Marine Le Pen “está jogando com a carta da ordem pública”, divulgando imagens de tumultos, incêndios e barricadas. Segundo dados da polícia, quase mil policiais ficaram feridos. A influência dos protestos estudantis do ensino médio se espalhou para outros países vizinhos, especialmente Itália e Bélgica.
Bélgica
O movimento de protesto na França se espalhou para a vizinha Bélgica, onde milhares de estudantes foram às ruas protestar contra o aumento das mensalidades, salas de aula superlotadas e a falta de recursos nas escolas. Em confrontos no dia 7 de outubro, 107 jovens foram presos em Liège . Desde o início dos protestos no país, mais de 200 jovens foram detidos pela polícia. Entre os slogans mais repetidos estavam “Lutamos por um direito, não por um privilégio” e “Eu escolho a educação, não os Jogos Vorazes”.
Foto: AP PHOTO/Geert Vanden Wijngaert
Uma manifestação contra a “austeridade”, organizada por sindicatos em 9 de outubro, em Bruxelas, reuniu entre 30 mil e 50 mil pessoas, e também terminou em tumultos, investidas policiais e gás lacrimogêneo. Tal como em França, o pano de fundo é o debate sobre o orçamento anual, que visa reduzir a dívida pública, mas aumentar as mensalidades universitárias, os custos dos transportes e o custo de vida. Os sindicatos ameaçam uma greve geral no final de novembro se o governo mantiver as “reformas” propostas, como o fim da correção automática dos salários, o aumento do IVA, o cálculo anual do horário de trabalho e os cortes que afetam os benefícios sociais e os serviços públicos.
Na Bélgica, França, Alemanha, Espanha e outros países, foi convocada uma greve geral na educação para o dia 20 de novembro , como forma de dar continuidade aos protestos contra os cortes em escolas, faculdades e universidades.
Itália
Matéria do jornal Il Manifesto, em 17 de outubro, revela: centenas de milhares de estudantes italianos saíram às ruas em uma manifestação espontânea contra os cortes na educação, a insegurança no emprego e a guerra, unindo reivindicações educacionais, sociais e ambientais em uma frente comum contra as políticas de direita. Os confrontos entre a polícia e os manifestantes tornaram-se violentos em Milão, Turim e Bolonha, onde se repetiram cenas de gás lacrimogêneo, canhões de água e jovens protestando contra o aumento do custo de vida e o governo de Giorgia Meloni. Em Roma , a central sindical CGIL e mais de cem organizações convocaram uma marcha para exigir salários mais altos, serviços públicos, impostos mais justos e redução dos gastos militares. Convocaram uma greve geral para 20 de novembro, mesmo dia da greve geral da educação em toda a Europa. A capital já havia presenciado manifestações estudantis no dia anterior, 16 de outubro, exigindo medidas urgentes para enfrentar a crise climática e melhorias estruturais no sistema educacional. As manifestações de sexta-feira também chegaram a Milão, Bolonha, Turim, Gênova, Pisa e Nápoles, com foco na denúncia do alto custo de vida e na rejeição do rearme.
Foto: ANSA Brasil
Em Roma (Itália), no dia 15 de outubro, coletivos de habitação montaram acampamento na Piazza dei Cinquecento, em frente à estação Termini, rebatizada de “ Piazza Maricarmen Abascal ”.
Sérvia
À medida em que se aproxima o segundo aniversário do 1º de novembro de 2024, dia em que uma cobertura desabou na estação ferroviária de Novi Sad, o movimento social gerado por esse incidente, que resultou na morte de 16 pessoas, enfrenta um novo desafio: vencer as eleições legislativas.
Esse movimento descentralizado, sem rostos visíveis, composto principalmente por jovens da Geração Z, organizou acampamentos, fechamentos de universidades, bloqueios, marchas e manifestações para denunciar a corrupção do governo de Aleksandar Vučić, a quem culpam pelo colapso da marquise que causou a tragédia.
Há um ano, mais de dez mil jovens homenagearam as vítimas naquela estação e exigiram maior investimento em saúde e educação, responsabilização criminal pelas mortes e a renúncia de Vučić. Agora, com a aproximação do pleito parlamentar de 25 de outubro, uma lista eleitoral composta por professores e ativistas lidera as pesquisas.
Foto: Darko Vojinovic/AP PHOTO
Nos dias 7, 10 e 11 de outubro, dezenas de milhares de jovens manifestaram seu apoio à candidatura da lista estudantil “Studentska lista – Studenti pobeđuju” (Lista Estudantil – Os Estudantes Vencem), cujos representantes foram eleitos pelos estudantes em assembleias abertas. Espera-se para 22 de outubro, antevéspera das eleições, uma grande manifestação de apoio a essa lista, que surgiu do movimento estudantil e representa uma oportunidade histórica para desafiar o poder que Vučić exerce no país há mais de uma década.
Portugal
No dia 10 de outubro, sob o lema “Não Dá Mais para Viver Assim”, mais de 30 organizações sociais portuguesas convocaram manifestações em Lisboa, Porto, Funchal, Braga e Aveiro. Inspiradas pelas revoltas na Espanha e França, milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra os altos preços da habitação e o custo de vida. “Ser jovem é como entrar num jogo de Banco Imobiliário em que todas as ruas já foram compradas e todos os hotéis já foram construídos por todo o lado”, afirmou o sociólogo português Alessio Motta.
Foto: Reprodução/RTP
As faixas lembravam os protestos na Praça da Liberdade e em tantas outras praças espanholas: “Queremos um salário que nos permita pagar o aluguel e viver”, “Menos turismo. Mais bairro”, “Não consegue pagar o aluguel? Então arme sua barraca” ou “Isto não é uma crise. É uma emergência”. Os gritos de “Viva Maricarmen!” e “Como na Espanha, todos para as ruas!” também refletiam claramente a influência do país vizinho.
Os manifestantes protestam contra a perda do poder de compra, mas também contra a reforma da lei de aluguéis, que visa dar aos proprietários ainda mais liberdade para aumentar os preços e facilitar os despejos.
No final da marcha de 10 de outubro no Porto, que contou com a participação de quase 2.000 pessoas, os manifestantes montaram tendas na Praça D. João I, no centro da cidade. Dois dias depois, a polícia desocupou a praça e desmontou as barracas, mas os manifestantes rapidamente regressaram com sacos de dormir para ocupar o espaço e passar a noite ali.
Em assembleia, os ocupantes da praça decidiram desobedecer à ordem da Câmara Municipal e montar novamente suas tendas. Nas primeiras horas da manhã de 15 de outubro, às 3h00, a polícia invadiu o acampamento. A brutalidade da ação policial foi registada em dezenas de vídeos. Pelo menos 37 pessoas ficaram feridas. A resposta da população do Porto foi massiva, e retomaram a praça com uma enorme multidão de apoio. No dia 17 de outubro, milhares de pessoas manifestaram-se em Lisboa contra o aumento do custo de vida e pelo direito à habitação. Os manifestantes reuniram-se na Praça do Rossio, onde montaram um grande acampamento. Seguindo o exemplo de Espanha e França, apelam a uma greve geral em novembro.
Albânia
Num contexto de crescente agitação social que persistia desde antes do verão, o movimento estudantil entrou em cena em 13 de outubro com manifestações massivas que culminaram em violentos confrontos com a polícia. Os estudantes protestavam contra as precárias condições universitárias, o aumento das mensalidades, a falta de bolsas de estudo e de perspectivas econômicas, a desigualdade e a corrupção. A brutal repressão, com o uso de canhões de água e gás lacrimogêneo, intensificou as manifestações, que no dia seguinte se transformaram numa revolta generalizada contra o governo.
Foto: Albinfo/Wikimedia Commons
Em 14 de outubro, dezenas de milhares de estudantes foram às ruas da capital, Tirana. Reportagens e vídeos mostraram incêndios parciais no ministério da Educação, em repartições públicas e em agências bancárias. Desde que o primeiro-ministro Edi Rama conquistou seu quarto mandato, em maio, ele enfrenta crescente descontentamento com a corrupção dentro de seu gabinete e entre outros altos funcionários. Acusações de nepotismo, que limitam as oportunidades de emprego no país, e a escala do exílio econômico — 44% dos albaneses vivem no exterior — exacerbaram a frustração entre os jovens devido à falta de oportunidades.
Entre os exemplos mais flagrantes de corrupção, o prefeito de Tirana, Erion Veliaj , do mesmo partido do primeiro-ministro, foi preso por lavagem de dinheiro e ocultação de bens e governa da prisão. Um avatar gerado por inteligência artificial anuncia suas medidas.
A oposição ao governo de Rama não é recente. Ela surgiu da rejeição popular em massa a um resort de luxo construído por Jared Kushner, genro de Donald Trump, na costa sul do país. O que começou como um conflito ambiental local transformou-se em uma onda de protestos que abalou a Albânia e mobilizou o sentimento nacional. A chamada ” Revolução dos Flamingos ” atingiu um ponto de virada em junho passado, quando um vídeo de um manifestante sendo agredido nas dependências do resort foi divulgado. Os protestos rapidamente transformaram-se numa onda de rejeição ao governo, com slogans como “Rama, renuncie”, um grito que ressurgiu com força renovada nos últimos dias. Na última quarta-feira, os protestos espalharam-se para as universidades de Elbasan e Shkodra. Na quinta, o movimento estudantil lançou um ultimato: não pararão até que Rama renuncie. E no sábado, dia 17, os protestos recomeçaram, com incêndios em vários locais da cidade, incluindo o Supremo Tribunal e o Banco Central.
Países Baixos, Alemanha, Irlanda e Grécia
O despejo da espanhola Maricarmen Abascal e a reação do movimento pela habitação causaram, além de Portugal, um forte impacto nos Países Baixos, onde grupos ativistas convocaram protestos e montaram tendas em Amsterdã, Almere e Haia.
Não se trata apenas de solidariedade. Os problemas habitacionais da Espanha repetem-se na Holanda. A Revolta da Moradia Woonopstand, uma plataforma de organizações sociais aponta: promessas não cumpridas de construção de novas casas populares, disparada dos aluguéis, oferta cada vez mais escassa de moradias acessíveis, aumento do número sem-teto, tentativa do governo de culpar os imigrantes pela crise. Em 10 de outubro, uma grande manifestação em Amsterdã, no Dia Internacional das Pessoas Sem-Teto, exigiu “moradia para as pessoas, não para o lucro”.
Na mesma data, cerca de 2.000 pessoas também manifestaram-se em Potsdam , na Alemanha, contra despejos e aluguéis exorbitantes. Sob o lema “Devolvam-nos os apartamentos! Reduzam os aluguéis!”, os manifestantes, em sua maioria jovens, protestaram contra as construtoras que compram prédios na cidade apenas para despejar os moradores: “Estamos furiosos porque Potsdam continua a estender o tapete vermelho para esses tubarões do mercado imobiliário”. Também houve manifestações de solidariedade com a Espanha em Londres, Dublin e Bruxelas durante os primeiros dias de outubro.
Os protestos em prol da educação, contra cortes e medidas de austeridade, fazem parte de um processo mais amplo de remilitarização na Europa, marcado por um aumento significativo nos gastos militares e por propostas para restabelecer o serviço militar obrigatório em muitos países. Na Alemanha, em 25 de setembro, quase 45 mil jovens foram às ruas em cem cidades para rejeitar a reintrodução do serviço militar obrigatório. Eles também protestaram contra os cortes sociais e educacionais, enquanto o país aumenta seus gastos com armamentos.
Jovens protestando na Alemanha. Foto: EFE/EPA/Firas Abdullah
Os protestos por moradia também chegaram à Grécia. Na noite de 13 de outubro, membros de organizações estudantis em Atenas montaram barracas na Praça Syntagma para protestar contra as dificuldades que os jovens estudantes enfrentam para encontrar moradia digna, uma luta inspirada pelos acampamentos estudantis espanhóis e pela revolta juvenil na França. Com o slogan “Estudar ou sobreviver?”, os manifestantes foram apoiados pela Juventude Comunista da Grécia (KNE) e pelo partido Syriza. “Isso não pode continuar”, declararam do palanque improvisado, proferindo um discurso de exasperação que parece encontrar eco em grande parte da Europa.
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