
.A ex-deputada federal e jornalista Joice Hasselmann, que foi uma das principais aliadas de Jair Bolsonaro em 2018 e chegou a liderar o governo no Congresso, declarou nesta quinta-feira (22) voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições, marcado para domingo (25). Em vídeo publicado nas redes sociais, ela classificou a família Bolsonaro como “família miliciana” ligada a facções criminosas e previu que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) será preso.
Joice Hasselmann, deputada federal mais votada de São Paulo em 2018, relembrou mais de duas décadas de oposição ao PT e o apoio inicial a Bolsonaro, motivado pela luta contra a corrupção. “Eu vi o clã por dentro”, afirmou. Segundo ela, as esperanças se dissiparam já no primeiro ano de governo, ao constatar o que descreveu como “podridão dos filhos, a farsa da esposa” e uma corrupção “quase industrial”.
A ex-parlamentar destacou que foi a primeira a denunciar a existência de uma minuta do golpe na gaveta do então presidente, levando a informação ao STF ainda em 2019. “O tempo mostrou e comprovou que tudo que eu denunciei, debaixo de um linchamento moral, aconteceu”, disse, citando a prisão de Jair Bolsonaro e de outros envolvidos.
Em publicação no X, ela disse que “os dois lados não são iguais. Um tem ideias que combato há décadas, mas dentro das regras da democracia. O outro, a família miliciana ligada a facções criminosas, a família capaz de qualquer coisa, inclusive de mandar matar, é o grupo que representa ódio, mentira, violência, crimes, roubo. Gente que nunca trabalhou, nunca produziu nada, além de maldade e perversidade, e que vive do dinheiro público recebido e roubado. Gente que destrói quem questiona. Democracia, para eles, é um obstáculo, uma afronta.”
E completou dizendo que: “apesar de todo o meu histórico de enfrentamento ao PT, domingo, dia 25, eu, Joice Hasselmann, voto Lula. Sem medo. Dia 26, volto ao debate de ideias. Sim, volto à oposição, mas dentro do processo democrático, onde é possível fazer oposição.”
A declaração inclui uma previsão contundente sobre Flávio Bolsonaro:
“Anote aí: Flávio Bolsonaro será preso. Os crimes dele se empilham um no outro. Desvio de dinheiro, superfaturamento de vacinas, sócio oculto em bets, jatinho de bilionário, o centro dos esquemas de Vorcaro, as lavanderias de dinheiro. Para Flávio, ganhar a eleição é ganhar tempo e saquear ainda mais o país. Ele sabe que o chão some com a democracia em pé.”
Hasselmann afirmou que a posição “custará caro” em amizades e críticas, mas que não tem medo: “Perder uma eleição, tudo bem. Perder a democracia, jamais.” E concluiu: “Eu falo o que vi e vivi. Entre discordar e o mal maior, eu fico com as regras do jogo. Eu voto em Lula no domingo. Dia 26, haverá jogo.”
A declaração ocorre na reta final da campanha, com pesquisas indicando disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Hasselmann reiterou que o voto não significa adesão ao programa do PT, mas a escolha pela preservação das regras democráticas contra o que ela descreve como um projeto de perpetuação familiar no poder.
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