Em comunicado publicado nesta terça-feira (23/06), o Partido Comunista de Israel e a Frente Democrática pela Paz e Igualdade (Hadash, da qual os comunistas fazem parte) denunciaram a detenção do ex-deputado Mohammad Barakeh, que também é ex-presidente do Alto Comitê de Acompanhamento para Cidadãos Árabes de Israel e membro da liderança da Frente (Aljabha/Hadash).
Representante do Hadash no Knesset (Parlamento israelense) entre 1999 e 2015, Barakeh foi mantido preso por pouco mais de duas horas, período em que foi interrogado, e depois libertado sob fiança.
Segundo informações da imprensa local, o pedido de prisão foi justificado pelo suposto crime de “incitação ao terrorismo”, devido a um discurso proferido pelo líder político durante um ato do partido palestino Fatah, realizado em 2022, na cidade de Ramallah, na Cisjordânia.
O discurso que motivou a detenção aconteceu na época em que Barakeh era presidente do Alto Comitê de Acompanhamento para Cidadãos Árabes de Israel, entidade que trabalha na defesa dos direitos dos integrantes da comunidade árabe dentro do território israelense, e também nos territórios palestinos.
Na ocasião, o discurso do líder comunista enfatizou o direito dos cidadãos palestinos da Cisjordânia em organizarem sua resistência contra as ocupações ilegais promovidas por colonos, muitas vezes com o patrocínio das autoridades israelenses.
No entanto, o magistrado Oded Moreno, do Tribunal de Petah Tikva, considerou que “há suspeitas razoáveis de que o crime foi cometido”. Ainda assim, ordenou a libertação de Barakeh mediante fiança e exclusão dos territórios palestinos ocupados por 30 dias.
Ademais, a Polícia israelense pediu ao Tribunal que proíba Barakeh de sair do território de Israel pelos próximos três meses, e que tenha seu passaporte e seus dois telefones celulares confiscados.
Nota de repúdio
Em seu comunicado, o Hadash alega que a detenção de Barakeh “revela claramente que o objetivo é intimidar as lideranças nacionais, criminalizar a posição política e golpear a liberdade de expressão, de organização e de ação popular” dos movimentos e das figuras que trabalham em favor da causa palestina.

Hadash
O comunicado também acusa “parlamentares da direita colonial, que são vistos pelas gangues de colonos descontroladas como seus representantes no Knesset e no governo”. O Hadash entende que esses setores seriam os responsáveis por promover um assédio judicial a Barakeh e outras figuras que atuam em favor dos palestinos.
“O que está acontecendo é uma tentativa fascista de apertar o cerco sobre a população árabe no país e sobre suas instituições representativas, lideradas pelo Alto Comitê de Acompanhamento, com o objetivo de silenciar a voz nacional e democrática que se opõe à ocupação, aos assentamentos e ao racismo”, diz o comunicado.
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