Mais de 100 ex-diplomatas franceses e britânicos enviaram uma carta ao presidente da França, Emmanuel Macron, e ao primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, na qual afirmam que a Palestina está sendo apagada diante dos olhos do mundo. No documento, eles pedem medidas urgentes, incluindo a proibição do comércio e da venda de armas, como forma de pressionar Israel a aceitar a existência de um Estado palestino.
Os signatários defendem que seus países agora têm a responsabilidade de “fazer causa comum na linha divisória fundamental da região: a igualdade de direitos para israelenses e palestinos”. A expectativa dos diplomatas é que a carta pressione Macron e Burnham a impor sanções específicas a Israel, num esforço para manter viva a solução de dois Estados.
Entre os diplomatas, tem ocorrido um debate sobre se o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, estaria tentando, por meio de provocações militares e políticas, incitar represálias de outros países que possam beneficiá-lo nas eleições israelenses marcadas para 27 de outubro.
De acordo com The Guardian, os ex-diplomatas argumentam que o reconhecimento da Palestina – uma medida há muito aguardada – “precisa ser concretizado por meio de ações urgentes para salvaguardar o direito palestino à autodeterminação, visto que o governo israelense busca destruir qualquer perspectiva de um Estado palestino independente, demonstrando desprezo pela lei, pelas decisões da Corte Internacional de Justiça e por inúmeras resoluções do Conselho de Segurança da ONU”.

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Eles escrevem: “Nossos governos se preocupam com a segurança do povo israelense, assim como se horrorizam com o sofrimento do povo palestino sob ocupação. O Hamas cometeu crimes hediondos em 7 de outubro de 2023, mas nada justifica a política sistemática de Israel de destruição de Gaza e de sua população. A afirmação de Netanyahu de que Israel deve viver pela espada é moralmente errada e contraproducente. Ela coloca em risco a segurança de Israel e não deixa espaço para negociação. Como resultado, o mundo não vê mais Israel como uma democracia genuína – não há nada de democrático em privar outros de seus direitos e terras.”
“Em Gaza, 2 milhões de palestinos estão confinados em 30% de suas terras devastadas, passando fome, sem acesso a medicamentos e moradia. Mais de 1.200 palestinos foram mortos desde o chamado ‘cessar-fogo’. Em Jerusalém Oriental e no restante da Cisjordânia, a demolição de casas palestinas e a violência desenfreada dos colonos – com a conivência do exército e da polícia israelenses – configuram limpeza étnica. A Palestina está sendo apagada diante de nossos olhos. Essa política de ocupação e destruição se estende ao Líbano – onde muitas aldeias foram arrasadas – e à Síria. É uma mancha na consciência da humanidade, que exige que o Reino Unido e a França ajam.”
Os diplomatas equilibram suas críticas a Israel ao afirmar que os palestinos “precisam garantir que o Estado reconhecido por mais de dois terços do mundo seja democrático e respeite a lei, apesar da ocupação. Gaza e a Cisjordânia precisam ser reunificadas política, administrativa e economicamente. A liderança política da Palestina não é representativa e é disfuncional. As eleições de novembro [na Palestina] devem levar à renovação democrática.”
Mas eles ponderam: “Embora nossos dois governos possam fazer muito para ajudar a Palestina a se tornar uma nação democrática plenamente funcional, o foco precisa estar na determinação de Israel em impedir esse resultado.”
O documento foi assinado por 52 ex-diplomatas franceses e 50 ex-embaixadores britânicos, muitos dos quais atuaram no Oriente Médio em altos cargos no Egito, Irã, Bahrein, Israel, Síria, Turquia, Kuwait, Arábia Saudita e Catar.
Entre os diplomatas britânicos, a lista inclui dois ex-enviados à ONU, Jeremy Greenstock e Emyr Jones Parry, e um ex-diretor do Ministério das Relações Exteriores para o Oriente Médio, Edward Chaplin. Já entre os signatários franceses estão Patrice Paoli, ex-diretor para o Oriente Médio no Ministério das Relações Exteriores da França, e Stanislas de Laboulaye, ex-cônsul-geral em Jerusalém.
O post Ex-diplomatas de França e Reino Unido pedem veto de armas a Israel: ‘Palestina está sendo apagada’ apareceu primeiro em Opera Mundi.