
O Exército brasileiro promoveu a primeira mulher ao posto de general em seus 377 anos de história. A médica pediatra Cláudia Lima Gusmão Cacho, de 57 anos, assumiu a patente de general de brigada, consolidando um marco inédito na estrutura militar do país.
A promoção foi oficializada em Brasília, onde Cláudia recebeu a espada e o bastão de comando — símbolos de quem atinge o topo da carreira militar — após uma trajetória de quase três décadas na Força. “Responsabilidade e competência não têm gênero”, afirmou a general, ao destacar que sua ascensão ocorreu “no tempo necessário”, como reconhecimento de uma carreira construída desde seu ingresso no Exército, em 1996.
Natural do Recife, Cláudia Gusmão é formada em Medicina pela Universidade de Pernambuco e construiu sua trajetória na área de saúde militar. Ao longo dos anos, ocupou diversos cargos, como a chefia do escalão de saúde da 1ª Região Militar, a subdireção de áreas técnicas da Diretoria de Saúde e funções de comando em diferentes unidades, incluindo hospitais militares em Natal, Campo Grande e no Rio de Janeiro. Agora, assume a direção do Hospital Militar de Área de Brasília.
Barreira histórica
A conquista rompe uma barreira histórica em uma instituição de quase 400 anos que só passou a admitir mulheres em seus quadros permanentes na década de 1990. O acesso feminino às carreiras militares que permitem chegar ao generalato, como a linha bélica, só foi autorizado em 2012, o que ajuda a explicar a demora para que mulheres alcancem os postos mais altos da hierarquia.
Apesar do avanço, a presença feminina nas Forças Armadas ainda é minoritária. Dados recentes indicam que as mulheres representam cerca de 6% do efetivo do Exército, percentual inferior ao da Marinha (11%) e da Aeronáutica (22%). Historicamente, a maior concentração feminina está na área de saúde, onde elas chegam a representar entre 40% e 50% do efetivo, evidenciando também a divisão de funções dentro da estrutura militar.
Mais vagas para mulheres
A tendência, no entanto, é de ampliação dessa participação. Em 2026, mais de 1.000 mulheres foram incorporadas ao serviço militar inicial no Exército, após mais de 33 mil alistamentos, enquanto a Defesa projeta aumento gradual das vagas e adaptações na estrutura para ampliar a presença feminina.
A própria general destacou o impacto simbólico de sua promoção e incentivou outras mulheres a ingressarem na carreira militar. Para ela, o caminho passa por qualificação e confiança: mulheres “podem chegar” aos postos mais altos da hierarquia.
A ascensão de Cláudia Gusmão evidencia uma mudança gradual nas Forças Armadas brasileiras — ainda marcada por desafios, mas que aponta para maior diversidade e reconhecimento do mérito como princípio institucional.
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com agências
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