A extradição de Geovany Andrés Rojas, conhecido como “Araña”, para os Estados Unidos pode comprometer as negociações para desarmar os Comandos de la Frontera, grupo dissidente das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A avaliação foi apresentada pelo ex-presidente colombiano Gustavo Petro no sábado (26/09), um dia após a entrega de Rojas às autoridades norte-americanas. O dirigente armado participava de negociações com o governo colombiano para interromper as atividades do grupo e avançar no processo de desmobilização.
Em publicação nas redes sociais, Petro explicou que havia suspendido a extradição durante seu governo não por considerar Rojas inocente, mas porque ele havia assumido compromissos relacionados ao desmantelamento da estrutura de narcotráfico, à redução da violência no departamento de Putumayo e ao desarmamento dos combatentes.
“Não quis extraditar Araña não porque seja uma boa pessoa, que não é, é um narco, mas porque se comprometeu a desmantelar toda a sua atividade narcotraficante, cessar a violência em Putumayo e desarmar seu grupo armado”, declarou o ex-presidente.
Rojas foi extraditado na sexta-feira (25/09) pelo governo colombiano e entregue às autoridades dos Estados Unidos. Ele é acusado de conspiração internacional para distribuir cocaína e narcoterrorismo. Deverá comparecer nesta segunda-feira (28/09) perante um juiz federal em San Diego, na Califórnia, onde terá início a etapa judicial do processo.
A extradição foi autorizada pelo governo colombiano em 26 de agosto, após ter sido suspensa durante a administração Petro. A Suprema Corte de Justiça da Colômbia havia aprovado a entrega em outubro de 2025, segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Negociações para desarmar os Comandos de la Frontera
A participação de Rojas nas negociações era um dos motivos apresentados pelo governo Petro para manter suspensa a extradição. Como dirigente e porta-voz dos Comandos de la Frontera, ele ocupava uma posição central nas conversações sobre a desmobilização do grupo, que atua principalmente no sudoeste colombiano.
Petro afirmou que a decisão de não extraditar o dirigente estava relacionada à possibilidade de obter resultados concretos por meio das negociações. Entre os compromissos mencionados pelo ex-presidente estavam a interrupção das atividades de narcotráfico, a redução da violência em Putumayo e a entrega das armas pelos integrantes da organização.
Em manifestações anteriores, Petro também afirmou que o processo havia produzido avanços na substituição voluntária de cultivos de coca e na redução dos homicídios na região. Esses resultados foram apresentados pelo ex-presidente como parte dos argumentos para dar continuidade aos diálogos.

Polícia Nacional da Colômbia
A extradição retira do território colombiano um dos principais interlocutores do grupo nas negociações. A possibilidade de continuidade dos compromissos de desarmamento, assim como a posição que os Comandos de la Frontera adotarão após a entrega de seu dirigente, permanece em aberto.
Acusações de narcotráfico nos Estados Unidos
Segundo o Departamento de Justiça norte-americano, Rojas é acusado de participar de uma conspiração internacional para distribuir cocaína e de narcoterrorismo. A acusação foi apresentada por um grande júri federal no Distrito Sul da Califórnia, em 7 de março de 2025.
De acordo com os investigadores, ele teria participado da coordenação de carregamentos de cocaína destinados aos Estados Unidos. As autoridades também atribuem aos Comandos de la Frontera o financiamento de suas atividades por meio da produção e do comércio de drogas, além do uso de armas e violência para controlar territórios.
Caso seja condenado, Rojas poderá enfrentar penas de prisão que variam de dez anos à prisão perpétua, conforme as acusações.
Em comunicado, a Presidência colombiana afirmou que a entrega de Rojas faz parte da política de combate ao narcotráfico e às organizações armadas. Segundo o governo, a administração de Abelardo de la Espriella alcançou 94 extradições desde o início do mandato.
A posição do governo colombiano contrasta com a justificativa apresentada por Petro para suspender a entrega: enquanto a atual administração enfatiza a cooperação judicial e o combate ao narcotráfico, o ex-presidente sustenta que a permanência de Rojas na Colômbia poderia contribuir para o desarmamento da organização.
De signatário do acordo de paz a dirigente dissidente
Rojas integrou as Farc e participou do processo que levou ao acordo de paz de 2016 entre o antigo exército revolucionário e o governo colombiano. Posteriormente, voltou à luta armada e passou a dirigir os Comandos de la Frontera, grupo associado à Segunda Marquetalia, estrutura formada por antigos integrantes das Farc que retomaram as armas.
A organização atua principalmente em Putumayo, região de importância estratégica para a produção de coca e para as rotas do narcotráfico na fronteira com o Equador. A trajetória de Rojas o colocou em uma posição ambígua no processo colombiano: ao mesmo tempo que é alvo de acusações criminais nos Estados Unidos, atuava como interlocutor nas tentativas de negociação para interromper a atividade armada de seu grupo.
O post Extradição de ‘Araña’ aos EUA ameaça negociações para desarmar dissidência das Farc, afirma Petro apareceu primeiro em Opera Mundi.