Atuante desde 2018 no Morro da Cruz, em Porto Alegre, o Coletivo Autônomo Morro da Cruz desempenha atividades sociais voltadas para a comunidade local, em especial crianças. Porém, dois de seus projetos educacionais voltados aos jovens, o Integração Social e o Conviver, estão sob risco de fecharem as portas por falta de recursos. Ao todo, são 83 crianças atendidas pelos programas.
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“A nossa ONG é pequenininha, mas o nosso trabalho é relevante porque estamos criando uma metodologia de intervenção. Nós temos o olhar estendido para a família e trabalhamos a longo prazo”, diz Lúcia Scalco, antropóloga e presidente do Coletivo. O “carro-chefe”, como diz Lúcia, é o Integração Social, que atende crianças de 6 a 12 anos.
Focado em crescer com dignidade, acolhimento e afeto, o Integração acolhe 53 crianças em um ambiente de desenvolvimento seguro. “É a educação que traz alguma ascensão social, que rompe”, afirma a antropóloga.
“Não é só tirar da rua. A gente trabalha com as escolas, temos ajuda psicológica, damos assistência, temos um ambiente multidisciplinar. A gente conseguiu criar um ambiente seguro”, afirma Lúcia.
Quando as crianças crescem, elas passam a participar do Conviver, destinado para a faixa etária entre os 12 e os 14 anos, que, para Lúcia, é um momento de suma importância na vida de alguém.
“Essa idade é uma idade muito difícil. É quando eles começam a experimentar. Os 12 a 14 anos são definidores na vida da pessoa. Eles não querem ser tratados como criancinhas, mas não são adultos”, diz.
Esses dois espaços, segundo o Coletivo, garantem proteção, aprendizado, alimentação, cuidado com a saúde mental e apoio também às famílias, com doações e encaminhamentos importantes.
O Integração Social e o Conviver não são os únicos programas do Coletivo. A ONG ainda oferece projetos de futebol feminino, música e, principalmente, cursos técnicos ou de capacitação profissional para melhor inserção no mercado de trabalho. Cada um tem sua dependência econômica separada.

Nesta terça-feira (22), Lúcia, junto com outras participantes do Coletivo Autônomo Morro da Cruz, apresentaram os projetos Conviver e Integração para a comissão do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL), uma verba administrada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT).
O programa destina recursos à reparação de danos coletivos e difusos, como os causados ao meio ambiente, ao consumidor e ao patrimônio público. Segundo o MPRS, 154 trabalhos foram inscritos e 75 propostas serão defendidas até esta quarta (23) na etapa oral de seleção.
“Foi aumentado o fundo. Eles que administram esse dinheiro, criam editais e destinam os recursos. Tu concorre com Prefeitura, secretaria… Todo mundo de olho nesse dinheiro e nós lá, pequenininhos”, comenta Lúcia.
Antes, a ONG podia captar recursos diretamente do MPT, porém uma decisão da ex-ministra Rosa Weber, do STF, alterou as regras da distribuição de verba para entidades sociais, cortando essa fonte de renda.
Hoje, Lúcia bate de porta em porta buscando apoiadores. Enquanto a UFRGS, em conversa com a reitora Márcia Barbosa, prometeu ajudar, ela diz que vem encontrando dificuldade com empresas privadas e órgãos públicos.
“A gente está tentando parceria com a Prefeitura de Porto Alegre via SMED (Secretaria Municipal de Educação). Mas é um absurdo o tanto que pedem de documento para a gente”, critica.

O Coletivo Autônomo Morro da Cruz tem um objetivo: custear os projetos Integração Social e Conviver até setembro, quando saem os resultados de editais e concursos para os quais apresentaram os programas. Com as contas apertadas, criaram uma vaquinha on-line que garantiu mais um mês de existência.
Contudo, ainda não é o suficiente. Lúcia calcula que, para manter os projetos, são necessários R$ 30 mil por mês. O Coletivo já conseguiu R$ 40 mil, precisando de outros R$ 20 mil. Ao todo, são mais de 20 colaboradores do Morro da Cruz participando da equipe.
“A gente realmente acredita na educação. Ninguém tira a educação. A educação é um direito”, defende Lúcia. “A gente quer virar política pública. A gente merece virar política pública. E essa campanha emergencial é para sobreviver e tentar virar política pública”.
O Coletivo recebe doações no seu site ou pela chave Pix 34426595000163.
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