
Por Ezequiel Silva de Sousa e Heliomar Borges Monteiro
Da Página do MST
Desde o dia 11 de abril deste ano, 2 mil famílias dos movimentos populares da luta pela Reforma Agrária Popular do campo e cidade, entre eles do MST, ocupam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), na Superintendência Regional do Sudeste do Pará (SR-27), no município de Marabá.
Os movimentos denunciam o abandono das pautas já negociadas com as famílias, pelas esferas dos governos estadual, federal e da iniciativa privada. E reivindicam o assentamento imediato de todas as famílias acampadas no estado, além de apoio governamental em políticas públicas de fomento e estruturação para a Reforma Agrária, conforme a lei específica.
Os(as) trabalhadores(as) também cobram da iniciativa privada, a exemplo de empresas como a Vale o compromisso que se comprometeu em negociação, de apoiar a estruturação dos territórios e fomentar a efetivação do direito à justiça social e dignidade humana.

O acampamento denominado de: Mobilização Camponesa e Popular ganha fôlego a cada dia, com a chegada de mais famílias acampadas e assentadas, dos territórios do MST, da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Pará (FETAGRI), Federação dos Trabalhadores Rurais da Agricultura Familiar (FETRAFI), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Rede Mãos Solidárias, Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM), Instituto Zé Claudio e Maria (IZL), Instituto Latino-Americano (IALA-Amazônico), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Centro de Educação, Pesquisa, Assessoria Sindical e Popular (CEPASP), Movimento dos Quilombos do Maranhão (MOQUIBOM), Associação de Produção e Comercialização dos Trabalhadores Rurais do Assentamento Palmares (APROCPAR), além de outros movimentos que se agregam na resistência com as famílias, conforme a mobilização se intensifica.
Poly Soares, da direção do setor de Direitos Humanos do MST, é taxativa: “A principal pauta na ocupação no INCRA de Marabá é a pauta da terra, estamos numa região que concentra o maior número de famílias acampadas no Brasil, que é a região sudeste do estado do Pará”.
Poly afirma ainda, que o abandono das famílias e a negligência do Estado, em encaminhar as demandas já acumuladas de anos anteriores de antigos e novos territórios, é o ponto crucial para que as famílias estejam em mobilização coletiva e reforça o apoio da sociedade organizada na luta por justiça social, por meio da participação massiva dos movimentos e da auto organização para garantir a resistência das famílias em luta, dizendo, que “a luta é permanente e não tem um período para terminar”.

Já a dirigente Nacional do MST no Pará, Viviane Brígida revela que a partir desta mobilização, foi planejada com as instituições responsáveis uma mesa de negociação marcada para o próximo dia 18 e 19 de junho para avaliar a situação das famílias e exigir o avanço das pautas de forma concreta.
Ela reforça ainda que as famílias pretendem seguir mobilizadas no INCRA até a sinalização positiva por parte dos Governos. “Estamos na ocupação com diversos movimentos e territórios no sentido de garantir o avanço das pautas e a resolução das situações de vulnerabilidades que o povo camponês está submetido, pela ausência das políticas públicas e pela violência do latifúndio”. Situação que é agravada pelos constantes conflitos que resultam em mortes e precarização da existência.
Nesta quinta-feira (11), data em que completam-se dez dias que as famílias do MST se juntaram à mobilização, os movimentos e territórios ocupam o plenária da Câmara de Vereadores de Marabá, durante uma Audiência Pública massiva, com a presença de instituições como Ordem do Advogados do Brasil (OAB) e o Programa de Proteção dos Defensores dos Direitos Humanos, o vereador de Parauapebas Tito Moura, além das representações do movimentos mobilizados na ocupação.
As famílias seguem com atividades de formação política, educação infantil, de jovens e adultos, formação cultural e artística, serviços de saúde popular e cuidados; além da auto organização de alguns setores, com zeladoria e segurança, infraestrutura, e na alimentação de todas as famílias e convidados presentes na ocupação por tempo indeterminado.
*Editado por Solange Engelmann
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