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Fascismo e Intolerância Religiosa: Humoristas são perseguidos pela extrema direita em Belo Horizonte

Fotografia dos humoristas Tiago Santineli e Luis Titoin em pé, um ao lado do outro, dentro de uma delegacia. Ao fundo, há um painel xadrez em preto e branco com o brasão e o nome da Polícia Civil de Minas Gerais. Tiago, à esquerda, veste camiseta azul e exibe tatuagens nos braços. Luis Titoin, à direita, é um homem negro com cabelos estilo afro, veste camiseta marrom e óculos de lentes laranjas.

Humoristas Tiago Santineli e Luis Titoin são alvos de um cerco fascista e de racismo religioso promovido pela extrema direita em Belo Horizonte.

Redação Minas Gerais


BELO HORIZONTE – Na noite deste sábado (21), a capital mineira foi palco de um lamentável episódio de perseguição política e racismo religioso. O humorista Tiago Santineli, conhecido por suas críticas abertas ao capitalismo e à extrema direita, e o artista Luis Titoin foram alvo de um cerco promovido por grupos fundamentalistas e parlamentares ultraconservadores durante a apresentação do espetáculo “Olodumare”.

O show, que utiliza o humor para exaltar a Umbanda e a cultura de matriz africana, foi recebido com hostilidade antes mesmo de começar. Durante toda a semana, setores extremistas — inflamados por figuras como o vereador João Fernandes (Novo) e o deputado estadual Bruno Engler (PL) — articularam uma campanha de difamação nas redes sociais, classificando a expressão artística como “culto satânico” e convocando fiéis para “rezar contra o mal” na porta do teatro. (Anexar os prints das redes)

Cerco fascista e a criminalização da cultura negra

Mesmo com os ingressos esgotados, manifestantes tentaram invadir o local e promoveram sessões de “exorcismo” coletivo direcionadas aos espectadores e aos próprios artistas. No final da apresentação, a situação escalou quando a Polícia Militar conduziu Tiago Santineli à delegacia.

Segundo relatos de testemunhas e da equipe de produção, Santineli foi acusado injustamente de agredir os invasores que tentavam romper o bloqueio do teatro.

Fotografia de Tiago Santineli, vestindo uma camiseta azul, em uma delegacia da Polícia Civil de Minas Gerais. Ele está de pé, com expressão séria, ao lado de um policial civil que está de costas. À direita da imagem, é possível ver as grades de uma cela de detenção.
O humorista Tiago Santineli na delegacia da Polícia Civil em Belo Horizonte, após ser injustamente conduzido em meio ao cerco promovido por grupos de extrema-direita durante seu espetáculo. Foto: Reprodução/Redes Sociais.

A luta contra o fascismo é uma luta pela arte

O caso de Santineli não é um caso isolado. Ele reflete o crescimento de uma ala política que não aceita o pluralismo religioso e utiliza a fé cristã como escudo para práticas de ódio. A perseguição ao espetáculo “Olodumare” é um ataque direto à cultura negra e ao direito de livre expressão garantido pela Constituição, mas constantemente rasgado pela extrema direita em Minas Gerais.

Tiago foi liberado na madrugada de hoje (22), mas o processo de tentativa de intimidação por parte da extrema direita continua. Nas redes digitais, figuras públicas, partidos e movimentos sociais expressaram indignação com o ocorrido. Em nota, a Unidade Popular MG afirmou: “(…) Exige a apuração rigorosa da conduta dos policiais e dos parlamentares que incitaram o ódio.”

Este ataque escancara que a única resposta à altura da ofensiva fascista é a radicalização da organização popular. Portanto, a derrota da extrema direita só será efetiva se for além do campo institucional e construída com a força do povo organizado e consciente.