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Fator Parisi: economista liberal pode ser fiel da balança em segundo turno no Chile

Apesar de não estar no segundo turno das eleições presidenciais chilenas, que será realizado no dia 14 de dezembro, o economista Franco Parisi pode ser um dos fatores decisivos para a disputa eleitoral, que escolherá quem vai governar o Chile nos próximos quatro anos.

Terceiro colocado no primeiro turno com 19,71% dos votos válidos, o candidato do Partido da Gente (PDG, por sua sigla em espanhol) possui um grande número de seguidores nas redes sociais e dialoga especialmente com o público jovem, de onde tirou os votos que o tornaram a grande surpresa da disputa eleitoral – já que a maioria das pesquisas o colocavam em quinto lugar.

Defensor de propostas sobre flexibilização do trabalho e apoio ao empreendedorismo, Parisi tem seu apoio cobiçado tanto pela candidata Jeannette Jara, do Partido Comunista (PC), que venceu o primeiro turno com 26,85% dos votos, quanto por José Antonio Kast, do Partido Republicano (PR), representante da extrema direita, que teve cerca 23,92%.

Além de economista, Parisi é uma figura destacada em meios de comunicação há muitos anos. Começou como comentarista em programas na televisão aberta, mas se tornou, com o tempo, um comunicador mais ativo nas mídias digitais e plataformas de streaming, onde seus canais estão entre os mais populares do Chile, graças a um discurso anti establishment no qual insiste em que seu projeto “não é de direita nem de esquerda”, ao mesmo tempo que encontra ressonância entre os cidadãos que exigem firmeza em questões como segurança e imigração irregular.

Parisi já foi candidato presidencial outras duas vezes. Em 2013, concorrendo como independente, ficou em quarto lugar, com 10,11% dos votos.

A segunda vez foi em 2021, quando competiu pelo PDG, partido que ele mesmo fundou e que lidera até hoje. Na ocasião, ele ficou em terceiro, mesma posição que obteve este ano, mas com uma quantidade de votos bem menor, cerca de 12,80%.

Além disso, o PDG mostrou uma evolução em sua performance nas eleições parlamentares, ao eleger 14 cadeiras na Câmara dos Deputados, contra apenas seis no pleito anterior. No Senado, a sigla não conquistou nenhuma vaga, em nenhum dos dois processos eleitorais.

Ademais, os seis deputados eleitos pelo PDG em 2021 abandonaram a legenda entre 2022 e 2024, alguns alegando diferenças com Parisi e criticando sua forma de liderar.

‘Papito corazón’

Um dos temas polêmicos relacionados com Parisi tem a ver com questões familiares, mais precisamente com um processo na Justiça no qual sua ex-esposa reivindicou uma dívida de cerca de 200 milhões de pesos chilenos (cerca de R$ 1,1 milhão de reais) em pensões alimentícias dos seus dois filhos.

Franco Parisi foi o terceiro mais votado no primeiro turno das eleições chilenas
Partido de la Gente / X

O caso veio à tona em 2021, e afetou sua campanha naquele ano, já que ele estava nos Estados Unidos quando a disputa eleitoral começou e tinha planos para regressar ao Chile, mas acabou evitando fazê-lo, já que havia a possibilidade de ser preso se o fizesse.

A polêmica fez colar nele o apelido de “papito corazón”, um termo que é comum no Chile há alguns anos, usado especialmente por mulheres para se referir aos pais que dizem amar seus filhos, mas que não pagam a pensão.

Na campanha deste ano, o caso da pensão alimentícia teve menos relevância – ainda há pendência, mas ele já teria quitado a maior parte da dívida e o que falta estaria coberta por um cronograma de pagamentos aceito pela Justiça –, e acabou tendo menos influência em sua campanha eleitoral.

Para onde vão os votos?

Em um segundo turno no qual Jara chegou com 26,85% dos votos e Kast chegou com 23,92%, os 19,71% de Parisi podem ser decisivos, mas conquistá-los vai requerer um esforço por parte das duas candidaturas que seguem na disputa.

Segundo o analista político Nahuel Millahueique Pezoa, da Universidade Nacional de Córdoba, “Parisi é uma figura que soubre construir uma linguagem própria com base em sua presença nas redes sociais, que fala diretamente com as pessoas e sabe introduzir conceitos que ressoam fortemente em um público bastante”.

“Seu público é bem peculiar: são pessoas que estão cansadas e frustradas com o funcionamento do sistema político chileno desde os Anos 90. Não é o público que viveu a ditadura ou que era ativo na esquerda ou na direita durante esse período, é um perfil diferente. E Parisi se dirige a eles a partir de uma perspectiva que sugere que isso não tem mais nada a ver com direita ou esquerda, despolitizando ainda mais o que já está despolitizado, mas, ao mesmo tempo, repolitizando-o a partir de um ponto de vista completamente diferente”, acrescentou o acadêmico de origem mapuche – nação indígena que ainda habita as regiões ao sul do Chile e da Argentina.

Millahueique afirma que a tendência do eleitorado de Parisi é se dividir na disputa entre Jara e Kast, mas não necessariamente de forma igualitária, e quem poderia ficar com a maior parte do setor é uma questão que dependerá da posição oficial que ele mesmo manifeste durante a campanha do segundo turno.

“Creio que prevalecerá um voto emocional, não racional. No fim das contas, acho que eles seguirão a liderança de Franco Parisi, que ainda não se manifestou oficialmente. Entretanto, seu irmão já declarou que votará em Jara, isso pode ter uma influência significativa”, frisou o analista político.

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