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Fernando Haddad critica gestão Tarcísio após incêndio em trem privatizado

O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, classificou nesta quinta-feira (23) como um absurdo e problema grave de gestão o caos registrado nas linhas de trem privatizadas pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em entrevista à rádio Nova Brasil e em publicações nas redes sociais, Haddad associou as falhas operacionais – que incluíram a explosão e o incêndio de um trem – ao modelo de privatização implementado pelo estado e anunciou que, se for eleito, vai revisar os contratos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), da Sabesp e do Centro Administrativo.

O episódio ocorreu na manhã desta quinta-feira (23), no terceiro dia de operação definitiva da concessionária Trivia Trens nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, anteriormente administradas pela CPTM. Um curto-circuito em uma composição da Linha 12-Safira provocou uma explosão e incêndio na região da estação Bresser-Mooca. A falha elétrica desligou subestações e paralisou totalmente as três linhas, obrigando passageiros a abandonar os vagões e caminhar pelos trilhos no escuro para desocupar a via. Apesar do susto e dos estragos que deixaram o vagão carbonizado, ninguém ficou ferido.

A concessionária havia assumido a operação total dos trechos na terça-feira (21). Diante da gravidade da ocorrência, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) classificou a situação como inaceitável e determinou que a CPTM retorne imediatamente à operação conjunta das três linhas por um período mínimo de 90 dias, prazo em que serão apuradas as responsabilidades técnicas e contratuais.

Durante a sabatina na rádio, Haddad relatou que acompanhou os desdobramentos a caminho dos estúdios e criticou a precarização do transporte ferroviário prestado à população paulista. Na avaliação do pré-candidato, as imagens de passageiros utilizando celulares para iluminar o trajeto sobre os trilhos demonstram a fragilidade da fiscalização e do planejamento do Governo do Estado sobre os serviços concedidos à iniciativa privada.

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Ao expandir o diagnóstico sobre a infraestrutura estadual, o ex-ministro da Fazenda citou a situação do saneamento básico após a desestatização da empresa pública de água e esgoto. Haddad destacou que os relatos de interrupção no fornecimento, queda na pressão e alterações no odor da água têm se multiplicado em diversas regiões, ao mesmo tempo em que as tarifas continuam em elevação, contrariando as garantias apresentadas durante o processo de alienação da companhia.

O pré-candidato estabeleceu um paralelo entre a atual conjuntura paulista e a sua passagem pelo Ministério da Fazenda no governo federal, lembrando que atuou em conjunto com o Ministério dos Transportes na repactuação de contratos de infraestrutura celebrados na gestão anterior. Com base nessa experiência, afirmou que promoverá uma auditoria detalhada nos termos firmados por Tarcísio de Freitas para verificar cláusulas que possam trazer prejuízos aos cofres públicos ou ao atendimento da população.

Em manifestações complementares nas redes sociais, Haddad voltou a responsabilizar a condução política do Palácio dos Bandeirantes pelas recorrentes paralisações no sistema sobre trilhos e pela deterioração de outros serviços essenciais, como a segurança pública e a rede estadual de ensino.

O governador Tarcísio de Freitas declarou que a concessionária Trivia Trens poderá sofrer sanções administrativas ou rescisão contratual em caso de descumprimento de metas, sustentando que os gargalos estruturais antecedem a transferência do serviço. Por outro lado, setores da oposição e entidades representativas dos ferroviários apontam que a aceleração das concessões tem comprometido os padrões de segurança e a eficiência do transporte coletivo. As apurações conduzidas pela Artesp e pelos órgãos de controle seguem em andamento para definir as sanções cabíveis.

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