
No último domingo (16/05), a USP foi ocupada pelo “Festival Canalha!”, um evento cultural organizado pelos estudantes da universidade para mobilizar e divulgar a Marcha em defesa dos direitos, da vida e contra o fascismo, que contou com a participação de 30 mil pessoas e foi realizada no último dia 20 de maio. Organizado pelo DCE Livre da USP e artistas independentes, o festival contou com shows gratuitos e denunciou o despejo violento da ocupação da reitoria da USP por parte PM do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos)
Mariana Rodrigues | São Paulo
JUVENTUDE – O nome “Canalha!” É uma referência a um grito histórico dos estudantes da universidade, que surgiu durante a ocupação do CRUSP (Conjunto Residencial da USP) na ditadura militar, que servia para alertar a chegada da Polícia Militar no campus. No evento, a palavra canalha foi utilizada para designar o principal inimigo dos estudantes, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Ocorrido uma semana após a violenta desocupação da Reitoria da USP, o “Festival Canalha!” é uma resposta à burocracia universitária que dificulta propositalmente o acesso e a permanência da população mais vulnerável à universidade. A cantora Isma, uma das principais atrações da noite, afirmou nas suas redes digitais: “Fui de universidade pública e sei como é desafiador permanecer. Estou com os estudantes na luta por condições dignas dentro das instituições de ensino”.
Idealizada por eugenistas para a elite paulistana, a USP historicamente excluiu o povo pobre e sua cultura dos seus muros. Foi uma das últimas universidades pública brasileira a aderir às cotas raciais e segue o mesmo caminho ao se tratar das cotas para pessoas trans e o vestibular indígena.
Por isso, o “Festival Canalha!”, organizado por artistas negros, trans e de periferia, torna-se um símbolo da luta que tem sido construída pelo movimento estudantil uspiano por melhores condições de estudo e permanência na universidade.
Arte e luta são um legado estudantil
O objetivo do festival é claro: denunciar através da arte os crimes cometidos pelo governador fascista Tarcísio de Freitas. Ele faz parte de uma programação de mobilização para a marcha estadual marcada para o dia 20 de maio.
Não é a primeira vez que artistas ocupam a USP em protesto. Em 1973, Gilberto Gil apresentou pela primeira vez sua música “Cálice” em um show clandestino realizado no Grêmio Politécnico. O show histórico é um marco de uma tradicional forma de luta do movimento estudantil: a arte.
Impulsionados pelo festival, artistas universitários e periféricos formaram um bloco unificado na Marcha do dia 20. Durante a caminhada, realizaram intervenções culturais, poéticas e escrachos ao governador Tarcísio, inimigo principal da juventude paulista.