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Flávio vai desabar e tem zero chance de vencer, diz Kassab

O presidente do PSD e candidato a vice-presidente de Ronaldo Caiado, Gilberto Kassab, declarou que os partidos do Centrão estão com Lula e que a chance de Flávio Bolsonaro (PL) vencer as eleições é “zero”. Disse ainda que, por ora, Flávio está sendo “preservado” de críticas dos adversários e que vai “desabar” nas pesquisas quando a campanha de fato começar.

As falas ocorreram nesta quinta-feira (13), durante jantar com um seleto público da elite econômica, formado por cerca de 200 empresários e aliados, num clube na capital paulista.

“A chance do Flávio se eleger é zero”, disparou. Kassab também afirmou que pesquisa é “tendenciosa” porque “não pega o Flávio que está apanhando durante a campanha. Ele está sendo preservado. Na hora que o PT mostrar quem é o Flávio e as pessoas que estão no entorno dele, ele vai desabar”.

Segundo Kassab, “os partidos do Centrão não estão apoiando o Caiado, estão com Lula”. E, puxando a sardinha para o seu lado, argumentou que “Caiado não é a terceira via, é a alternativa”.

Mesmo levando em conta que foram feitas sob medida para os seus interesses, as falas de Kassab não costumam ser vazias de significado. Afinal, partiram de um nome visto como arguto e pragmático analista político, que não costuma jogar suas fichas ao léu.

Além disso, a avaliação foi verbalizada para um público que, embora torça o nariz para Lula — mesmo prosperando durante os governos populares que ele e Dilma Rousseff lideraram —, também não parece se sentir confiante para, novamente, embarcar na nau bolsonarista.

É nessa insatisfação que a candidatura de Caiado e Kassab busca surfar, mesmo cientes de que a hipótese de irem para um segundo turno com Lula é remota. Ainda assim, como Kassab “não dá ponto sem nó”, suas declarações devem refletir alguma jogada antecipada do dirigente partidário, além de sinalizarem acenos para além da direita.

Quanto ao Centrão, está em seu DNA estar sempre no poder — ou seja, mesmo sendo majoritariamente de direita, o fisiologismo fala mais alto, de maneira que pouco importa a posição política do candidato, desde que possa tirar proveito. O PSD, aliás, bebe dessa mesma fonte.

Não à toa, seus partidos optaram pela “neutralidade”, não apoiando abertamente nenhum dos candidatos à Presidência agora. Até porque, em estados do Nordeste, por exemplo, em que Lula e a esquerda têm mais força, apoiar Flávio poderia ser fatal para seus candidatos ao governo e ao Congresso.

Certamente, como em outros momentos, o Centrão usará sua influência política, sobretudo local — além das emendas que hipertrofiaram o papel do parlamento no tabuleiro político — como moeda de troca na hora que julgarem mais oportuna, como têm feito desde sempre.

Seja como for, a avaliação de Kassab não parece bom presságio para Flávio Bolsonaro, cuja candidatura acumula problemas em série. Às vésperas do início oficial da campanha, devem estar causando incômodo à extrema direita, encalacrada em sua própria teia.

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