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França proíbe entrada de ministro israelense que humilhou ativistas pró-Palestina

O governo da França proibiu neste sábado (23/05) o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, de entrar em seu território após ele divulgar um vídeo humilhando e supervisionando agressões físicas contra ativistas pró-Palestina da Flotilha Global Sumud.

“A partir de hoje, Itamar Ben-Gvir está proibido de entrar em território francês”, comunicou o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noel Barrot, na plataforma X. “Essa decisão segue suas ações repreensíveis contra cidadãos franceses e europeus que eram passageiros da Flotilha Global Sumud”.

Na quarta-feira (20/05), Ben-Gvir havia postado imagens mostrando a si mesmo caminhando entre os ativistas pró-Palestina detidos no Porto de Ashdod. Em uma das cenas, uma integrante da missão humanitária rumo à Gaza grita “Palestina livre” e, logo, é empurrada ao chão por um agente de segurança mascarado. Outros cortes registram os ativistas algemados, vendados e ajoelhados sob vigilância. Enquanto isso, o ministro aparece sorrindo e zombando deles, dizendo frases provocativas como “Bem-vindos a Israel, nós somos os donos da casa” e “O povo de Israel está vivo”.

ככה אנחנו מקבלים את תומכי הטרור

Welcome to Israel 🇮🇱 pic.twitter.com/7Hf8cAg7fC

— איתמר בן גביר (@itamarbengvir) May 20, 2026

A Marinha israelense interceptou as embarcações da flotilha em águas internacionais ao largo da costa de Chipre, sequestrando ilegalmente cerca de 430 participantes no início da semana. Centenas foram libertadas um dia após a divulgação do vídeo, que gerou condenação internacional: além da França, Itália, Holanda, Canadá e Espanha convocaram os embaixadores israelenses.

“Não podemos tolerar que cidadãos franceses sejam ameaçados, intimidados ou submetidos à violência dessa forma, especialmente por um funcionário público. Observo que essas ações foram condenadas por um grande número de figuras governamentais e políticas israelenses”, disse Barrot. “Eles seguem uma longa série de declarações e ações chocantes, bem como incitação ao ódio e à violência contra palestinos. Como meu colega italiano, peço à União Europeia que também imponha sanções contra Itamar Ben-Gvir.”

À compter de ce jour, Itamar Ben-Gvir est interdit d’accès au territoire français.

Cette décision fait suite à ses agissements inqualifiables à l’égard de citoyens français et européens passagers de la flottille Global Smud.

Nous désapprouvons la démarche de cette flottille…

— Jean-Noël Barrot (@jnbarrot) May 23, 2026

Na sexta-feira (22/05), a alta representante da União Europeia para Política Externa, Kaja Kallas, aceitou o pedido apresentado pelo ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, para iniciar trabalhos sobre possíveis sanções contra Ben-Gvir.

Relatos de tortura, abuso sexual e estupro

Em comunicado, os organizadores da Flotilha Global Sumud disseram na sexta-feira ter recebido dos ativistas que foram libertados relatos de pelo menos 15 casos de abuso sexual enquanto estavam sob custódia israelense. O abuso sexual incluiu “revistas humilhantes, provocações sexuais, apalpações e puxões genitais, e múltiplos relatos de estupro”, disse o grupo.

“Pelo menos 12 agressões sexuais foram documentadas só nessa embarcação, incluindo estupro anal e penetração forçada com arma de fogo”, acrescentou.

De acordo com a Folha de S.Paulo, a ativista brasileira Beatriz Moreira, membro do Movimento dos Atingidos por Barragens no Brasil, que integrava a flotilha que foi interceptada no início da semana, informou ter sido agredida por soldados israelenses durante a detenção. O jornal também relatou que o médico brasileiro Cássio Pelegrini, precisou ser internado em Istambul “por ferimentos causados por tortura”.

O serviço prisional israelense, por outro lado, nega as acusações, afirmando serem “falsas e inteiramente sem base factual”. Contrariando os relatos e os registros em vídeo e divulgados pelo próprio ministro Ben-Gvir, o órgão disse, em comunicado, que “todos os prisioneiros e detidos são mantidos de acordo com a lei, com toda consideração pelos seus direitos básicos e sob a supervisão de equipe prisional treinada e profissional”.

(*) Com Ansa

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