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G7 começa em segundo plano pressionado por acordo EUA-Irã, protestos e guerra na Ucrânia

Por Fernanda Otero, direto de Évian-les-Bains

Às margens do lago Léman, onde Évian-les-Bains recebe líderes das maiores economias ocidentais, o G7 chega ao início da cúpula pressionado por uma agenda que se impôs antes mesmo da abertura oficial. A reunião, preparada para discutir segurança, economia, tecnologia e governança global, entrou na semana em segundo plano diante de um anúncio feito fora do roteiro diplomático: Donald Trump declarou, em rede social, que o entendimento com o Irã estava concluído e chamou o mundo a “deixar o petróleo fluir”.

O principal fato político do fim de semana veio de uma postagem de Trump na Truth Social. “O acordo com a República Islâmica do Irã está concluído”, escreveu, ao anunciar a “circulação livre” no Estreito de Ormuz e a remoção imediata do bloqueio naval dos EUA. “Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, afirmou.

A DW descreve o entendimento como um memorando mediado pelo Paquistão, com detalhes ainda a negociar, que encerra operações militares, mas posterga pontos centrais, incluindo o destino do programa nuclear iraniano. O acordo também deixa o presidente norte-americano vulnerável a críticas internas por não cumprir objetivos declarados no início do conflito.

A movimentação internacional seguiu a mesma lógica. Líderes como Emmanuel Macron se manifestaram no X, enquanto Alemanha, França e Itália emitiram comunicado conjunto saudando o memorando e defendendo a reabertura urgente de Ormuz com liberdade de navegação. O sinal, antes mesmo da chegada dos chefes de Estado e de governo a Évian-les-Bains, é de que a agenda do G7 começa empurrada para a defensiva por um tema que atravessa energia, segurança e disputa geopolítica.

Na véspera do encontro, as ruas também falaram. Em Genebra, a cerca de uma hora da cidade francesa que sedia a cúpula, protestos contra o G7 reuniram cerca de 20 mil pessoas em uma marcha que começou pacífica e terminou em confronto com a polícia. Houve uso de gás lacrimogêneo, episódios de depredação e forte aparato de segurança na região. A DW registra que um carro da Tesla foi incendiado, vitrines de banco foram quebradas e um prédio da ONU sofreu danos.

A guerra na Ucrânia também voltou a impor gravidade à semana. A Euronews relata que a Rússia lançou uma onda de ataques com mísseis e drones durante a noite de domingo para segunda-feira, matando pelo menos 11 pessoas e provocando um incêndio que atingiu o complexo da Lavra de Kiev-Pechersk, patrimônio mundial da Unesco. O telhado da Catedral da Dormição ficou em chamas. Volodymyr Zelenskyy apelou aos líderes do G7, reunidos na França, por mais pressão sobre Moscou e reforço da defesa aérea ucraniana.

No Reino Unido, a pauta doméstica também ganhou dimensão global na agenda de regulação digital. Segundo a Euronews, o primeiro-ministro Keir Starmer anunciou que menores de 16 anos serão impedidos de acessar várias plataformas de redes sociais, sem especificar de imediato quais. As regras devem entrar em vigor no início do próximo ano e exigir medidas de verificação de idade, com possibilidade de uso de tecnologias como reconhecimento facial, reconhecimento de voz ou inferência etária. Starmer também mencionou toques de recolher digitais para adolescentes mais velhos e limites a chatbots de inteligência artificial.

Com esse conjunto de pressões, o G7 começa em Évian-les-Bains sem controle pleno sobre a própria pauta. O encontro que reunirá líderes de Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Japão, Canadá e União Europeia terá de responder a uma conjuntura que se desloca rapidamente entre Oriente Médio, Ucrânia, ruas europeias e regulação das grandes plataformas digitais.