Notícias

Governo leva ao SUS terapia milionária contra câncer feita no Brasil

O Brasil passa a produzir 100% nacionalmente um dos tratamentos contra o câncer mais avançados — e mais caros — do mundo. A terapia CAR-T, que custa até US$ 400 mil por paciente no exterior, poderá ser ofertada gratuitamente pelo SUS graças ao Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), lançado neste sábado (23), no Rio de Janeiro, pelo presidente Lula (PT) e pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, com investimento de R$ 330 milhões do governo federal.

A iniciativa coloca o Brasil como referência regional em terapias avançadas na América Latina — e dá mais um passo concreto na construção de uma política de saúde soberana, pública e acessível a quem mais precisa.

“A gente não é menor do que ninguém”

Lula foi direto ao nomear o significado político da conquista. “Esse centro tecnológico dá ao Brasil a certeza de que a gente não é menor do que ninguém, de que a gente não é menos competitivo do que ninguém. O importante é a gente garantir que o país mudou. Basta a gente ousar, ter coragem e fazer.”

Leia também: Lula inaugura centro tecnológico da Fiocruz e reforça soberania em saúde

O presidente também rebateu o argumento mais frequente contra o financiamento público da ciência: o de que pesquisa custa caro demais. “Normalmente, o que a gente ouve muito no governo é: ‘Ah, custa muito. É muito caro. Não tem dinheiro’. Isso é o que a gente mais ouve. As pessoas nunca param para se perguntar quanto custa não fazer.”

Alenxadre Padilha foi igualmente contundente ao afirmar que “não estamos falando apenas de uma grande indústria de produção tecnológica. Estamos falando de uma instituição que combina inovação, escala e acesso para salvar vidas.”

Ataque triplo ao câncer: o que é a terapia CAR-T

A tecnologia adotada pela Fiocruz é o modelo chamado duoCAR-T triespecífico, transferido da empresa americana Caring Cross, que reconhece e ataca simultaneamente três alvos diferentes nas células cancerígenas, tornando a eliminação da doença mais eficaz e reduzindo significativamente a chance de recidivas.

Isso acontece porque a terapia CAR-T é personalizada: as células de defesa do próprio paciente são coletadas, modificadas geneticamente em laboratório para reconhecer e combater o câncer, e depois devolvidas ao organismo já reprogramadas para eliminar a doença. Os tipos de câncer beneficiados incluem leucemia, linfoma e mieloma.

Durante a cerimônia, o presidente da Fiocruz, Mário Moreira, revelou que os estudos realizados no centro já curaram um paciente antes mesmo da inauguração oficial. Lula esteve pessoalmente com esse paciente, que havia passado por vários outros procedimentos sem sucesso. “Isso não é milagre, é ciência”, afirmou Moreira.

Soberania de ponta a ponta

Um ponto estratégico do projeto está além do tratamento em si. A Fiocruz passará a fabricar também os vetores lentivirais, componentes essenciais da terapia que antes precisavam ser importados e representavam um dos principais obstáculos para baratear o acesso. O laboratório público Bio-Manguinhos assumirá essa produção, garantindo ao Brasil domínio completo sobre toda a cadeia produtiva da terapia CAR-T. Com isso, o país poderá se tornar não apenas referência na tecnologia, mas também exportador desses insumos para outros países da região.

O ministro Padilha resumiu bem o alcance da iniciativa. “Graças à capacidade de produção nacional e ao SUS, as pessoas poderão receber esse tratamento gratuitamente, como um direito”, afirmou.

Laboratórios em contêineres

Outro diferencial do modelo adotado pela Fiocruz é que os laboratórios serão modulares, instalados em contêineres que podem ser montados próximos aos centros de tratamento em diferentes regiões do Brasil. A solução reduz custos de transporte, agiliza o atendimento e permite que o modelo seja replicado por todo o país. A primeira unidade já está instalada no Rio de Janeiro e entrará em operação em breve para suportar os estudos clínicos, acompanhados pela Anvisa.

Os primeiros lotes piloto serão produzidos até julho deste ano. O início dos estudos clínicos com os primeiros pacientes está previsto para o segundo semestre deste ano. Após essa etapa, a tecnologia precisará obter registro na Anvisa, comprovando segurança, eficácia e qualidade para uso em larga escala.

A aposta do governo federal na produção nacional de terapias celulares não se limita à Fiocruz. O Ministério da Saúde também destina R$ 100 milhões a uma segunda iniciativa de produção de células CAR-T, em parceria entre o Hemocentro de Ribeirão Preto e o Instituto Butantan.

Ciência pública como instrumento de justiça social

Para o governo Lula, o lançamento do centro CAR-T vai além de um avanço médico: é uma declaração política. Investir em ciência pública é garantir que os benefícios do conhecimento cheguem a quem mais precisa, e não apenas a quem pode pagar. “Porque o que eu quero é simples: que o povo tenha tratamento da mais alta qualidade”, concluiu.
__

com informações do Governo Federal

O post Governo leva ao SUS terapia milionária contra câncer feita no Brasil apareceu primeiro em Vermelho.