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Governo Lula controlou preço do arroz e alta do cafezinho tem relação com Trump  

Em páginas de influencers bolsonaristas, alguns vídeos têm viralizado comparando preços entre o valor dos alimentos no governo Bolsonaro e do governo Lula. Dois pontos chamaram a atenção da equipe da TVT, o uso de preços falsos dos alimentos no governo Bolsonaro e a falta de explicação sobre o que levou ao aumento de preço no governo Lula.  Saiba mais em TVT News.  

Inflação de alimentos 

O acumulado do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação de alimentos, mostra que a inflação de alimentos no governo Lula, até agosto, foi de 15,9%, enquanto, no governo Bolsonaro, entre janeiro de 2019 a agosto de 2022, foi de 44,2%. No entanto, Lula tem sido atacado nas redes sociais pelo valor dos alimentos. 

Para Francisco Menezes, ex-presidente do Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional), o problema é que as pessoas não sentem a melhora no preço dos alimentos como desejavam, porque se começou o governo um patamar já muito alto de preços, herdados por Jair Bolsonaro.

“O preço do café subiu muito antes, o preço da carne subiu muito no governo anterior. Tem uma elevação de preços, que é muito menor, mas ainda não se conseguiu fazer esses preços irem reduzindo de forma a que chegasse uma memória de 2019 quando os preços eram bem mais baixos”. 

Na opinião da economista do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e supervisora da área de preços, Patrícia Costa, existe uma insatisfação geral porque o preço dos alimentos é alto, mas isso não vem de hoje. “Em 2019, você pagava R$ 2, R$3 no litro do óleo de soja. Na pandemia ele dobrou de preço. Ele chegou num patamar de R$6 e dali nunca mais saiu. Se você pega o conjunto da cesta básica, aumentou 68% de 2019 a 2022 no município de São Paulo e 14% no governo Lula”.  

Menezes também destaca o problema dos conflitos que causam aumento no valor dos alimentos, pois influenciam o custo de insumos como o valor dos fertilizantes. “O governo Bolsonaro teve conflito da guerra que continua da Rússia e Ucrânia. No governo Lula, se acresce a guerra os conflitos dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, com um impacto muito grande nos fretes. Por isso, o governo Lula, quando começou a guerra tomou uma medida de subsídio ao diesel“, lembrou.

Por que o café aumentou? 

De acordo com o boletim do Dieese “A inflação de alimentos, os limites da política monetária e a PEC 55”. Em agosto de 2022, último ano do governo Bolsonaro, o preço do quiligrama do café estava em R$ 40, 22, o dobro do valor de quando ele assumiu em 2019. No entanto, o valor do quilo do café não dobrou no governo Lula, finalizando em agosto em R$ 62,68.  

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Alta do café também é fruto da especulação feita em governo de Donald Trump./ Foto: Ali Mkumbwa/Unsplash

O café é negociado na Bolsa de Valores pelo contrato futuro, ou seja, pela expectativa de um valor. Quando existe uma expectativa de quebra de safra, ou se tem algum problema climático o preço tende a aumentar, pois não se sabe se será possível cumprir o contrato.  

“Donald Trump, no momento, que ele anuncia o tarifaço, ele coloca uma expectativa muito grande no que vai acontecer. Ou, que não vai que vai sobrar café, ou que não vai mais exportar. Toda essa negociação que ele vai publicando nas redes sociais vai causando um impacto para um mercado que é especulador por natureza”, explica a economista Patrícia Costa. 

Alimentos em queda  

Apesar dos fatores específicos, como especulação e crise climática, que ditam o preço de alguns alimentos como o café, outros tiveram redução no valor, como é o caso do arroz. Em agosto de 2024, o quilo do arroz chegou a custar R$ 5,88, passando para R$ 4,45 em agosto deste ano. Em 2022 , o óleo de soja, chegou a custar R$ 10,49 e hoje está em R$ 8,07. 

O governo Lula retomou a política dos estoques regulares, que consiste na compra de alimentos pelo Estado, que pode vendê-los caso o preço suba muito. A ministra da Agricultura do governo de Jair Bolsonaro, Tereza Cristina, chegou a dar uma declaração de que “a rede de abastecimento não fazia sentido”. 

“A gente teve um exemplo muito claro com o arroz. O preço do arroz em 2022 disparou e os estoques estavam a zero, porque tinha sido praticamente destruído tudo, inclusive a infraestrutura para a formação dos estoques […] agora está se reconstruindo a estrutura e procurando formar estoques, Em dezembro de 2023, o presidente Lula assinou um decreto criando a Política Nacional de Abastecimentos que não existia”, pontuou Menezes. 

Costa complemente que os estoques são uma política muito importante para interferir no volume, no preço do produtor e do consumidor. ‘Esse desmonte feito no governo anterior, ele demorou quase dois anos para ser remontado, três agora que a gente termina o ano com um volume de arroz grande em posse da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) para essa intervenção”, disse. 

De acordo com a economista, também é necessário levar em conta chuva fora de época, em excesso, em falta, seca, calor demais. Com o calor, por exemplo, o tomate amadurece antes. “Daí você tem um mês cheio de tomate, no outro você não tem tomate”.  

Cai o endividamento e a inadimplência das famílias brasileiras

O endividamento das famílias brasileiras registrou queda pela primeira vez desde dezembro de 2025. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a proporção de famílias com dívidas passou de 82% em agosto para 81,7% em setembro, em recuo moderado.

No mesmo intervalo, a inadimplência diminuiu entre as famílias com renda de até 3 salários mínimos e cresceu entre as que ganham acima de 10 salários mínimos. Entre as quatro faixas de renda analisadas, essa foi a que apresentou aumento no indicador.

Pandemia  

Costa ainda avalia que, parte do problema veio da pandemia, que, enquanto, o mundo inteiro se fechou para garantir alimento para a própria população, o Brasil bateu recordes de exportação “exportação de arroz, óleo de soja, por conta da especulação da soja no mercado internacional. Então, com isso, você teve uma mudança de patamar no fim de 2020 já muito grande. A ausência de políticas, voltadas para a questão dos alimentos e dos preços dos alimentos e com o mercado de trabalho desaquecido, com pessoas com uma renda baixa, foi tornando inviável o consumo interno” 

Neste cenário, continuou se exportando carne, enquanto, no Brasil foi registrado pessoas na fila do osso.  O mesmo levantamento do Dieese evidencia que o valor do quilo da carne, saltou de R$ 25,44 em 2019, para R$ 47,20 em agosto do último ano de governo Bolsonaro. O aumento da carne, no governo Lula foi bem menor, registrando em agosto, o valor de R$ 55, 25. 

 “Quando você tem o estímulo do agronegócio, toda atenção do mercado está voltada para fora, para vender lá, ter um ganho maior, porque você vai vender numa moeda estrangeira mais valorizada, num vol ume grande”, conclui a economista.  

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