
Em continuidade ao processo de reconhecimento do papel do Estado brasileiro por assassinatos e desaparecimentos durante a ditadura, o governo Lula entregou, nesta segunda-feira (15), em Natal, mais seis certidões de óbito retificadas.
A 7ª Solenidade de Entrega de Certidões de Óbito Retificadas das Vítimas da Ditadura Militar aconteceu no auditório da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), na capital potiguar.
A cerimônia contou com a participação da governadora Fátima Bezerra e autoridades do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, de órgãos ligados à Justiça e integrantes da Comissão Nacional sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, responsável pelas entregas, que já ultrapassam uma centena, além de familiares das vítimas e lideranças políticas e sociais.
As certidões de óbito corrigidas foram concedidas às famílias de Anatália Alves, Edson Quaresma, Hiram de Lima, Luiz Gonzaga dos Santos, Luiz Ignácio Maranhão e Zoé Lucas. Ainda foram homenageados Emmanuel Bezerra, José Silton Pinheiro, Sebastião Gomes e Virgílio Gomes.
Dignidade aos mortos e familiares

Ao falar durante a solenidade, a governadora Fátima Bezerra destacou: “cada uma dessas certidões representa o reconhecimento oficial de que essas vidas foram interrompidas pela violência política do Estado brasileiro. Representa o reconhecimento de que essas mulheres e homens não morreram por acaso. Foram, sim, vítimas de um regime que negou direitos, perseguiu opositores e tentou sufocar os sonhos de uma geração inteira. Por isso, este momento tem um significado profundo: porque ele devolve dignidade à memória daqueles que partiram e às famílias que nunca deixaram de lutar”.
Para a secretária-executiva adjunta do MDHC, Isadora Lacava, “o fim da ditadura não significou o fim de seus efeitos. Esses traumas persistem, atravessam gerações e ainda desafiam o Brasil na reconciliação com a sua própria história”.
Saiba mais:
Governo entrega mais 26 certidões de óbito retificadas de mortos pela ditadura
Familiares recebem certidões de óbito corrigidas de 102 mortos pela ditadura
Governo fará 1ª entrega de certidões de óbito corrigidas dos mortos da ditadura
Morte violenta causada pelo Estado na ditadura deverá constar em certidões de óbito
Com essas retificações, prosseguiu Isadora, “o Brasil acolhe a oportunidade e a responsabilidade de continuar avançando na justiça de transição — afinal a democracia exige memória, compromisso e coragem. Não há futuro democrático sem memória social, e não há justiça sem o reconhecimento e a reparação das violações cometidas”.
Presente à cerimônia, o presidente do PCdoB do Rio Grande do Norte, Divanilton Pereira, declarou que “em tempos de combates sem tréguas ao fascismo no mundo e no Brasil, resgatar, saudar e valorizar aqueles e aquelas que resistiram contra a ditadura militar no país, tem um significado emocional, político e ideológico muito importante”.
Ele acrescentou que esta reparação, “que altera uma luta que era ‘clandestina’ para uma forma de resistência oficialmente reconhecida, é muito importante para os comunistas – maiores vítimas desse período – democratas e sobretudo, para os familiares. Ela revigora o passado, o presente e o futuro de gerações”.
Certidões corrigidas
A entrega dos documentos retificados é parte do processo de busca por memória, justiça e verdade em relação aos crimes cometidos por agentes do autoritarismo, retomado pelo governo Lula e viabilizado após determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Com essa mudança, nas certidões passa a constar, como causa do óbito, “morte não natural, violenta, causada pelo Estado a desaparecido no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política no regime ditatorial instaurado em 1964”.
Segundo a Comissão Nacional da Verdade, o Brasil tem ao menos 434 mortos e desaparecidos no período autoritário, dos quais cerca de 200 ainda não tiveram seus restos mortais encontrados.
O post Governo Lula entrega mais 6 certidões corrigidas de mortos pela ditadura apareceu primeiro em Vermelho.