
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, disse que o governo debate um plano de contingência para socorrer as empresas e os trabalhadores dos setores atingidos pelo tarifaço de 50% imposto pelo governo norte-americano de Donald Trump aos produtos brasileiros.
De acordo com levantamento da sua pasta, 44,6% das exportações brasileiras para os Estados Unidos estão fora da tarifa adicional de 50% aplicada unilateralmente pelo governo norte-americano nesta quarta-feira (30).
Os Estados Unidos divulgaram uma lista com cerca de 700 produtos que ficaram de fora da medida, entre eles aviões, celulose, suco de laranja, petróleo e minério de ferro.
“O que realmente vai nos afetar é 35%, 35,9% do total das exportações. O presidente Lula orientou primeiro: vamos continuar a negociação. A negociação não terminou hoje, ela começa hoje”, explica Alckmin em entrevista nesta quinta-feira (31) ao programa Mais Você, da TV Globo.
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O ministério disse que os setores afetados como carne, frutas e café corresponderam a um faturamento de US$ 14,5 bilhões em 2024.
“Vamos defender os 35% das exportações que foram afetadas. Vamos nos debruçar nesses 35% e preservar empregos, fazendo estudos visando esses setores mais atingidos”, afirma.
No mesmo tom, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, diz que a medida é melhor do que se esperava, mas as negociações estão apenas começando e “longe do ponto de chegada”.
“Faço questão de frisar: são duas nações que têm 200 anos de bom relacionamento, então se isso for levado em consideração, não há como não chegar a um bom acordo”, disse o ministro aos jornalistas nesta quinta.
Para ele, nada do que foi decidido não pode ser revisto. “Eu penso que essa semana é o começo de uma conversa mais racional, mais sóbria, menos apaixonada, e também explicar como funciona o nosso poder Judiciário”, antecipa.
Bolsonarismo
Haddad voltou a criticar os bolsonaristas por agirem contra a economia do país. “Eu venho dizendo há muito tempo: é diferente quando você tem uma força interna trabalhando contra os interesses do país. Isso fragiliza o Brasil e não está acontecendo em nenhum outro país do mundo, só está acontecendo no Brasil”, reclama.
Ele diz que isso precisa ser compreendido, porque fragiliza a posição do país. Isso não é bom nem para a democracia, nem para a soberania e não concorre para os interesses nacionais”, finaliza.
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