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Governo projeta superávit na balança comercial de até US$ 90 bilhões em 2026

A estimativa é de um saldo favorável no comércio exterior de 2026 variando entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões. Os números foram revelados nesta terça-feira (6) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A projeção indica um avanço em relação ao desempenho de 2025, quando o país obteve um superávit de US$ 68,3 bilhões. Esse montante representou uma redução de 7,9% na comparação com os US$ 74,2 bilhões alcançados em 2024, ano marcado pela forte volatilidade nos preços internacionais das commodities.

Para 2026, o governo calcula que as exportações oscilem entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões, enquanto as importações devem ficar entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões. Com isso, a soma de exportações e importações pode atingir o patamar histórico de US$ 670 bilhões.

Investimento na Indústria Nacional

 Um dos destaques do balanço de 2025 foi o perfil das importações. Dados oficiais apontam que o crescimento das compras externas foi impulsionado principalmente pelos bens de capital, que registraram alta de 23,7%. Para analistas do setor, esse dado é um indicador positivo de vitalidade econômica, pois reflete o aumento do investimento em máquinas e equipamentos para a expansão da infraestrutura e da capacidade industrial brasileira.

Em contrapartida, as compras de combustíveis apresentaram queda de 8,6%, reduzindo a dependência externa nesse setor estratégico. No campo das exportações, o mês de dezembro de 2025 foi emblemático, estabelecendo um novo recorde para o período ao atingir US$ 31,04 bilhões.

Impacto do protecionismo dos EUA 

As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 6,6% em 2025, somando US$ 37,72 bilhões. O desempenho foi diretamente impactado pelo “tarifaço” imposto pelo governo Trump, que sobretaxou produtos brasileiros. Em dezembro, a queda foi ainda mais acentuada, de 7,2% (US$ 3,45 bilhões), consolidando o quinto recuo mensal consecutivo desde que as medidas entraram em vigor em julho.

Dinâmica dos Parceiros Comerciais 

Enquanto o comércio com Washington sofreu com barreiras tarifárias, a China consolidou sua liderança absoluta como principal parceiro do Brasil. As exportações para o gigante asiático cresceram 6%, superando a marca histórica de US$ 100 bilhões. A União Europeia manteve-se como o segundo maior bloco parceiro, com crescimento de 4,8% na corrente de comércio. Já os Estados Unidos, apesar de um aumento de 11,3% nas importações (compras feitas pelo Brasil), viram a corrente de comércio bilateral crescer apenas 2,4%, refletindo a dificuldade das empresas brasileiras em acessar o mercado norte-americano sob o novo regime tarifário.

“Os resultados demonstram a resiliência da economia brasileira e o acerto das políticas de fomento à reindustrialização. O aumento na entrada de bens de capital é a prova de que o setor produtivo está se modernizando”, destacou a nota oficial da Secex.

O superávit de 2025 excedeu as estimativas do mercado financeiro, posicionando-se como o terceiro maior da série histórica do país. Novas projeções detalhadas, com o detalhamento por setores, devem ser divulgadas pelo MDIC em abril.

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