Centenas de pessoas se reuniram na quarta-feira (01/04) em Ramallah para marchar contra a lei apoiada pelo ministro da Segurança Nacional de extrema-direita de Israel, Itamar Ben-Gvir, que impõe a pena de morte para palestinos condenados por ataques mortais.
Jornalistas da agência de notícias AFP informaram que a maioria das lojas nas cidades de Hebron, Ramallah e Nablus estava fechada ao meio-dia. Além disso, instituições públicas palestinas, incluindo universidades, em toda a Cisjordânia ocupada e Jerusalém Oriental, permaneceram fechadas.
Segundo a emissora catari Al Jazeera, os militantes entoaram slogans que condenavam a lei e pediram à comunidade internacional que revertesse sua aprovação. Entretanto, soldados israelenses forçaram comerciantes palestinos que participavam da greve na cidade de Anata, a nordeste da Cidade Velha de Jerusalém, a abrir seus estabelecimentos.
Em um protesto na cidade de Nablus, no norte da Cisjordânia, manifestantes carregavam cartazes alertando que o tempo estava se esgotando. “Parem a lei que permite a execução de prisioneiros, antes que seja tarde demais”, dizia uma placa, mostrando uma animação de um prisioneiro usando o lenço palestino keffiyeh ao lado de uma corda de forca.
O partido Fatah, do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e outras facções nacionais e islâmicas convocaram uma greve geral no norte da Cisjordânia na quarta-feira (01/04).
Nas redes sociais, palestinos compartilharam imagens de pneus sendo queimados em protesto contra a lei no posto de controle de Qalandia, um dos pontos de entrada mais movimentados da Cisjordânia para Israel via Jerusalém.

WAFA
Testemunhas oculares relataram que soldados israelenses dispararam balas revestidas de borracha, granadas de efeito moral e gás lacrimogêneo contra os manifestantes, informou a agência de notícias palestina WAFA, acrescentando que não houve relatos de feridos.
Segundo a nova lei, aprovada no parlamento israelense, o Knesset, na noite de segunda-feira (30/03), os palestinos na Cisjordânia condenados por tribunais militares por realizar ataques mortais classificados como “terrorismo” enfrentarão a pena de morte como sentença automática.
A medida foi aprovada pelo Knesset, por 62 votos a favor e 48 contra, e ocorre em meio à escalada da violência nos territórios ocupados, onde ao menos 18 palestinos foram mortos na última semana em Gaza e na Cisjordânia.
Atualmente, mais de 9.500 palestinos estão detidos em prisões israelenses, incluindo 350 crianças e 73 mulheres. Grupos de direitos humanos palestinos e israelenses afirmam que os detidos enfrentam tortura, fome e negligência médica, o que resulta em dezenas de mortes.
Como os palestinos no território são automaticamente julgados em tribunais militares israelenses, a medida cria, na prática, uma via legal separada e mais severa. Nos tribunais civis de Israel, a lei prevê pena de morte ou prisão perpétua para aqueles condenados por homicídio com a intenção de prejudicar o Estado.
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, condenou a lei, afirmando que “sua aplicação aos residentes do território palestino ocupado constituiria um crime de guerra”.
Além da ONU, oito países de maioria muçulmana emitiram nesta quinta-feira (02/04) uma declaração conjunta que “condena veementemente” a nova lei aprovada unilateralmente pelo Knesset no início desta semana que permite a pena de morte para palestinos residentes na Cisjordânia.
O documento divulgado por Paquistão, que inclui a assinatura de Turquia, Egito, Indonésia, Jordânia, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, rejeitou as “práticas israelenses cada vez mais discriminatórias e crescentes que consolidam um sistema de apartheid”.
Já os países da União Europeia (UE) também expressaram forte preocupação com a aprovação, classificando a medida como um retrocesso. “Este é um passo claro para trás”, afirmou um porta-voz do órgão. “Convocamos Israel a cumprir sua posição anterior de princípios, sua obrigação sob o direito internacional e seu compromisso com os princípios democráticos”, acrescentou.
A reação europeia foi reforçada por uma declaração conjunta dos ministros das Relações Exteriores do Reino Unido, Alemanha, França e Itália, divulgada um dia antes da aprovação da medida.
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