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Greve na construção civil paralisa obras em João Pessoa após descumprimento de acordo coletivo

Os canteiros de obras de João Pessoa amanheceram parados nesta segunda-feira (16), com o início da greve por tempo indeterminado dos trabalhadores da construção civil. A paralisação foi motivada pelo descumprimento de um acordo coletivo firmado em abril último entre o sindicato da categoria e o setor patronal. Com isso, mais de 10 mil operários aderiram ao movimento, exigindo respeito aos direitos conquistados e o cumprimento imediato do que foi pactuado.

Desde a última grande greve em 2021, a categoria da construção civil na Paraíba vem se mobilizando por direitos básicos – reajuste real, cesta básica digna e jornada justa. Mas, mesmo depois da negociação mediada pela Justiça em abril de 2025, as empresas patronais recuaram nos compromissos e desrespeitaram o acordo, motivando o movimento atua.

Segundo o presidente do Sintricom-JP, Francisco Demontier, a reivindicação engloba a reposição salarial de 7,51%, melhorias no café da manhã e cesta básica, e negociação da jornada com o sindicato que não foram implementadas.

“A decisão pela greve foi tomada devido à falta de respeito do Sinduscon com a categoria. Mesmo após um acordo firmado, assinado e mediado por uma juíza do trabalho e um procurador do Ministério Público do Trabalho, o sindicato patronal voltou atrás. Quinze dias após a assinatura, o Sinduscon simplesmente ignorou os compromissos assumidos diante da Justiça do Trabalho e se recusou a cumprir o que foi acordado. O acordo previa melhorias no café da manhã oferecido aos trabalhadores, entrega da cesta básica, reajuste salarial de 7,5%, pagamento das diferenças salariais na remuneração e a definição da jornada de trabalho com a participação do sindicato. No entanto, o Sinduscon descumpriu todos esses pontos. Além disso, quer impor uma pauta que retira o papel do sindicato nas negociações, deixando todas as decisões a cargo exclusivo das empresas, sem ouvir os trabalhadores”, explica Demontier.

Para o trabalhadro Italo Jones, pedreiro, está difícil manter a vida: ““Hoje a gente está cobrando os nossos direitos, assim como sempre cumprimos com os nossos deveres. Por isso, não vamos voltar atrás. O que estamos pedindo é o mínimo. A vida do trabalhador é complicada: a gente sai de casa às 5h30 da manhã, tem que acordar antes das 5h, e só volta pra casa por volta das 18h30, 19h. Aí é jantar, passar uma horinha com o filho, no máximo uma hora e meia, e já se preparar pra trabalhar de novo no outro dia. E, além disso, ainda querem que a gente trabalhe nos feriados – o que nem é obrigatório. Mas o encarregado dá aquele tapinha nas costas e fala: ‘conto com você amanhã’. Isso é pressão psicológica.”, afirma

Roberto Pereira, carpinteiro, comneta que a greve é um ultimato. “É a única forma de retomarmos o respeito. Tentamos o diálogo, mas fomos ignorados. A paralisação é o último recurso para exigir que a palavra das empresas seja cumprida”, declara.

Durante audiência de conciliação realizada com a presença da juíza do trabalho Nayara Queiroz Mota e do procurador do Ministério Público do Trabalho, Márcio Roberto de Freitas, o Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon) e o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintricom) chegaram ao seguinte acordo:

Termos do Acordo Firmado na Justiça do Trabalho

  1. Reajuste salarial
    Foi pactuado um reajuste de 7,51% para toda a categoria laboral, com efeito retroativo a 1º de janeiro de 2025. O pagamento do valor retroativo deverá ser quitado até a folha de pagamento do mês de maio de 2025.
  2. Café da manhã reforçado
    A composição do café da manhã oferecido nos canteiros de obra passará a incluir dois pães com manteiga, um copo de café, queijo e ovo, substituindo a antiga opção com mortadela. A mudança deve ser implementada de imediato.
  3. Cesta básica
    A partir da cesta referente ao mês de maio de 2025, será acrescentado um pacote de flocão de 500g e uma lata de sardinha aos itens da cesta básica já existente.
  4. Inclusão futura de rapadura
    Ficou ainda acordado que, a partir de janeiro de 2026, será incorporada à cesta básica uma rapadura de 600g.

Ata de Audiencia de Conciliação

Importância e crescimento do setor

A construção civil empregou 2,858 milhões de pessoas no Brasil em 2024, com a criação de 110 921 novos empregos com carteira assinada, um aumento de 4,04% em relação a 2023 (cbic.org.br). Desde 2020, o setor acumulou crescimento de quase 39%, com 800 378 novas vagas formais. No primeiro semestre de 2024, foram criados 159 203 empregos formais — o maior volume em 12 anos para o período.

Emprego e economia na Paraíba

A Paraíba registrou mais de 52 mil trabalhadores formais na construção civil em 2024, representando 10% do total de empregos no estado. Esse setor também se destacou como o que mais cresceu em número de vagas no estado durante o ano. Além disso, o estado como um todo teve um saldo de 27.614 empregos formais em 2024, o segundo maior nos últimos 12 anos, de acordo com o Governo do estado.

1- As partes pactuaram a implantação do percentual de 7,51% (sete vírgula cinquenta e um por cento) de reajuste aplicados à toda categoria laboral, retroativo a 1º de janeiro de 2025, cujo retroativo será adimplido até a folha de pagamento do mês maio de 2025.

2-Quanto ao café da manhã, a mortadela será substituída por queijo e ovo, de imediato. Ficando o café da manhã composto por: 2 pães com manteiga, 1 copo de café, ovo e queijo.

3- Fica ajustado que será acrescido na cesta básica já existente, um pacote de floção de 500grs. e uma lata de sardinha, já a partir da cesta básica referente ao mês de maio do ano em curso.

4- A partir de janeiro de 2026, será acrescida uma rapadura de 600grs. na cesta básica.

O que esperar a seguir?

Demontier explica que a greve é por tempo indeterminado até que o Sinduscon-PB honre os termos pactuados em abril. “A conjuntura nacional favorável, com setores aquecidos e forte geração de empregos, está sendo esquecida localmente pela categoria – que segue mobilizada até ter seus direitos garantido. A construção civil é base de toda infraestrutura e habitação popular – setor essencial na vida do trabalhador. A greve denuncia como o capital patronal historicamente se nega a valorizar quem ergue as cidades. Só a pressão coletiva pode obrigar o cumprimento de melhorias mínimas e a retomada real do diálogo com os trabalhadores”.

O Jornal Brasil de Fato procurou Ozaer, representante do Sinduscom-JP, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.


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